Salve o Ralphie… ou não!

Para mim, os encontros virtuais de domingo deixaram de ser uma válvula de escape e passaram para a categoria dos eventos imprescindíveis para alimentar a esperança, a certeza de que nunca estou sozinha e também para aquecer o coração com uma boa xícara de chá. Poderia ser qualquer outro dia da semana, pois o que importa mesmo é a oportunidade de troca com pessoas queridas e o acolhimento das mútuas angústias em tempos de crise. Um viva para a tecnologia que nos salva do distanciamento físico e da alienação. Um viva aos amigos que mergulham juntos nessa aventura cibernética e na defesa de boas causas.

E que ótimo podermos fazer bom uso da internet; quem dera fosse sempre assim. Para fomentar o debate, por exemplo, atingimos outro patamar. Rapidamente espalhamos informações sobre fatos indevidos e conquistamos aliados na luta. É o caso de abaixo-assinados, petições coletivas, ações e movimentos defendendo ou reivindicando direitos. Se as conquistas decorrentes dessas iniciativas se concretizam eu não sei. Algumas talvez sejam mais efetivas em suas metas do que outras, mas acho legítimo afirmar que todas acabam mobilizando as pessoas de alguma maneira.

Como disse um amigo filósofo: não deixa de ser uma forma de alimentarmos o mundo das ideias. Por vivermos em um logus pensante, é indispensável criarmos e partilharmos os pensamentos. Mas sempre tem aqueles que espalham notícias falsas e polêmicas inúteis. Sendo assim, quanto mais produzirmos ideias simples, acessíveis e virtuosas, carregadas  de amorosidade e cuidado, melhor. Afinal, buscamos nossas referências no mundo pensante, o que torna ainda mais fundamental que ele seja um depositário de incentivos para a mudança mais profunda dos nossos paradigmas e atitudes.

Ideias básicas sobre a necessidade de proteger todos os seres vivos do planeta, envolvendo a igualdade de direitos, a justiça, a corresponsabilidade e a equidade de recursos não são baboseiras. Por mais que pareçam velhas bandeiras ao vento, deveriam nos motivar a novos comportamentos. Então, quando você repassa uma mensagem sugerindo, por exemplo, a reflexão sobre o consumo de cosméticos testados em animais e alguém chama isso de hipocrisia, o problema não está na sua iniciativa. Podemos continuar sendo o grilo falante, pois existe muito Pinóquio entre nós. Além do mais, pode ser que este seja um dos nossos propósitos neste exato momento. E ele é válido. Ele é potente!

De um lado, não dá para esperar que todas as pessoas reagirão positivamente ao nosso estímulo. Alguns serão contrários, outros solidários e está tudo bem. Devemos pensar que cada pessoa age de acordo com as limitações e potenciais que assimilou em sua trajetória. O que fazemos ajuda a plantar uma sementinha, mas se ela vai germinar ou apodrecer independe de nós. Às vezes, é preciso um empurrãozinho para romper as fronteiras do pensamento alheio, mas cabe ao outro a responsabilidade de ampliar sua própria consciência. O tempo de despertar é relativo e sempre gradativo.

Claro, o fato de habitarmos no mesmo planeta faz toda a diferença nesse caso. Enquanto estivermos presos no looping das dúvidas e dos dilemas sobre coisas primordiais para a vida coletiva, fica difícil mesmo fazermos a tal transição planetária. Algumas pessoas desqualificam o nosso chamado e não prestam atenção no que está acontecendo ao seu redor. Elas são tão ensimesmadas e impermeáveis que dá até um desânimo. Por isto, colocar os aprendizados dos domingos filosóficos em prática durante a semana é um desafio à parte. Em todo caso, sejamos insistentes: vamos salvar o Ralphie!

Depois de assistir ao curta-metragem Save Ralph, produzido pela Humane Society International, repassei o vídeo para algumas pessoas com uma lista de empresas que continuam testando fórmulas em animais. As reações foram variadas e levei, inclusive, algumas invertidas por sugerir analisarmos nosso consumo e evitarmos ao máximo tais cosméticos. Que surra! Já estava lambendo as feridas quando ouvi alguém dizer maravilhosamente exatamente o que eu precisava para me recompor: temos todos um papel de igual importância nessa equipe que se chama humanidade, e devemos fazer a nossa parte com fé. Encontrarmos um consenso coletivo é basilar, embora desafiador. Então, sigamos tentando.

Há quem tenha dito que o sacrifício de animais é necessário para o avanço da ciência. Mas a que custo? Assistam ao curta e depois respondam: será mesmo necessária a aplicação de testes em animais ainda que isto lhes cause sofrimento? Talvez eles estejam apenas cumprindo seu papel de auxiliar na descoberta de medicações que venham a salvar vidas humanas. Mesmo assim é questionável e, no caso, estamos falando da indústria de cosméticos. Será que nós realmente precisamos de todos esses produtos para o corpo? E da alma, como cuidamos? Talvez tenhamos nos afastado demais da nossa própria natureza. Desaprendemos a viver em harmonia com a simplicidade da vida, mas é sábio lembrarmos que a natureza não depende de nós, ela nos precede e nos sucederá. Repensemos o nosso lugar.

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4 respostas para Salve o Ralphie… ou não!

  1. Sulla Mumme disse:

    É a grande realidade que vivemos, cada um contribuindo de sua maneira até atingir uma consciência real de irmandade entre todos os reinos da Terra.

  2. Meire Cidade disse:

    Concordo com você. A indústria cosmética tem outras opções para testar seus produtos, não necessitam fazer uso de cobaias. Excelente texto!

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