Realidade: um sonho (im)possível

Foto: Jose A Morán Fotografias

Foto: Jose A Morán Fotografias

Sonhar pode significar uma projeção da nossa mente para refletir os desejos e expectativas que alimentamos dentro de nós. Mas, ao mesmo tempo em que expressa o reconhecimento do nosso potencial inovador, também representa a negação daquilo que vivemos no cotidiano ou até mesmo a incapacidade de lidarmos com a vida, tal como ela é.

Com muita frequência esperamos receber a oportunidade certa para realizarmos nossos sonhos e, através deles, encontrarmos a felicidade. O tempo passa e demoramos a entender que esse registro é uma ilusão: o momento certo é relativo e talvez nunca alcance os anseios do coração. Depositamos a responsabilidade para concretizarmos nossos propósitos sobre a frágil condição do mundo externo. Condicionamos a materialização do sonho à possibilidade objetiva e quando ela não acontece, simplesmente vamos nos acomodando às verdades temporárias e seguimos cumprindo o destino como se ele fosse uma fatalidade inevitável.

Mesmo infelizes, raramente ou praticamente nunca pensamos em encarar de frente a situação em que estamos vivendo com determinação, a fim de modificar a realidade naquilo que desejamos. Ignoramos por completo a voz interior. Quanto tempo precioso desperdiçado para sonhar o impossível, exatamente por acreditarmos, todas as vezes que nos esbarramos em alguns obstáculos, que as mudanças são inatingíveis ou complicadas demais para serem efetuadas. Onde mesmo escondemos a nossa força transformadora?

Se observarmos com cuidado o estado vibratório do mundo atualmente, perceberemos de imediato um grau preocupante de insatisfação generalizada, tomando conta das pessoas e arrastando muitas delas para o desânimo total. Muita gente com problemas e doenças de todos os tipos e gravidade, sentindo-se impotente e paralisada diante das adversidades. Realmente, muitos de nós já se perderam no olho do furacão e continuam se debatendo, tristemente, para recuperar o fio da esperança.

Talvez, para alguns, a esperança de um sonho coletivo: uma sociedade coerente e generosa com a sua diversidade; um mundo coeso, tão idealizado pelos mais diferentes expoentes da cultura, da filosofia, da utopia. Um sonho que se sonha juntos para torná-lo realidade e que devolve o destino da vida para as nossas mãos. Mas para outros, apenas a esperança despretensiosa de um amor correspondido, capaz de resgatar o coração do limbo e rejuvenescer a existência inteira da alma.

Porém, ao descobrimos que sonhávamos sós, o que fazemos?

Recuamos entristecidos, pois nos damos conta de que exercer o livre arbítrio e tomar as decisões sobre os rumos da própria vida é condição privilegiada de poucas almas: aquelas que ousaram confrontar seus paradigmas e romper com os eventos sui generis do seu entorno, por compreenderem que são as únicas pessoas capazes de alterá-los. Geralmente, nos amedrontamos com a necessidade de mudar a lógica que mantém nossa zona de conforto. Permanecemos desgostosos, mas desejosos de que um dia o sonho seja real.

E, enquanto isso, lá se vai o tempo que não temos, sacrificado pela covardia de fazer da realidade um sonho possível. Onde mesmo escondemos a nossa força transformadora de sonhos?

 

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