Nascemos para ser lagarta

Foto: Eric Lafforgue http://www.ericlafforgue.com

Foto: Eric Lafforgue
http://www.ericlafforgue.com

Andamos, andamos, na esperança de nos descobrir luz. Andamos, andamos, deixando que o ego conduza nossos passos, definindo por nós as escolhas e, dessa forma, mascaramos nossa estúpida pequenez com grandes projetos e experiências sociais interessantes.

Andamos, andamos e damos voltas por diversos lugares, mas nos enganamos: nenhum lugar traz a verdade sobre a nossa pessoa. Não porque eles sejam incapazes ou desnecessários, apenas porque refletem uma imagem incompleta daquilo que somos. E, mais importante ainda, espelham a fantasia que vestimos, sem levar em conta a farsa egóica em que nos colocamos.

Andamos, andamos e chega um tempo em que a travessia é a única alternativa existente. Momento de pura honestidade para consigo mesmo, ainda que admitir a sombra cause perplexidade. Registrar nossa tolice pode causar um alívio imediato, anunciando a recompensa do paraíso. A verdade revelada de que não há nada de especial sobre nós, a não ser o fato de tentarmos ser especiais, rompe totalmente com a ilusão do ego. Não há nenhuma aura brilhante nos envolvendo e a única luz existente é aquela que, como holofote, evidencia a sombra da alma.

Andamos, andamos e assim ficamos autorizados a ser o que somos, deixando de lado a vergonha e o orgulho, interrompendo a busca e aceitando os passos dados até então. Podemos, assim, arcar com a ordinariedade da nossa existência e nos satisfazer com o lugar comum. Não é preciso mais sair por aí e podemos nos recolher no casulo tranquilamente, pois nascemos para ser lagartas.

Andamos, andamos e, finalmente, percebemos que transformação significa uma nova formação e perspectiva. Também quer dizer que transcendemos antigos paradigmas e valores, para renovar nossas ações. É a superação da forma tal qual a concebemos na origem e nos habituamos, para ousar o diferente e o desconhecido. Tarefa que nos incita ao exercício permanente de flexão – dobrar-se para si mesmo – e reflexão – meditar sobre o que encontramos. Movimento que tende a descarregar suficiente adrenalina na corrente sanguínea a fim de que possamos entrar em estado de alerta. Uma vez atentos para as armadilhas do paradoxal “quero mudar, sem nada mudar”, passamos a traçar novos rumos.

E, então, andamos, andamos e quando nos damos conta, voamos como lindas borboletas!

Anúncios
Esse post foi publicado em Meditando e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Nascemos para ser lagarta

  1. marco aurélio de oliveira disse:

    Lindo texto, realmente é assim que caminha a humanidade, uns menos, outros mais, enfim, aprendemos a acobertar quem somos debaixo das máscaras do ego, simplesmente para conquistar algo ou alguém do qual estamos interessados, eu creio que há uma Luz dentro de nós, nublada talvez por toda a ilusão do ego, orgulho, como você descreve, acrescento ingratidão por tudo que o Pai Maior nos presenteou, anseio muito que essa reflexão se espalhe por toda a humanidade e que essa adrenalina seja despejada em nossos sangue, e fiquemos espertos para sair dos casulos e Voar!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s