Uma causa pra viver e pela qual lutar

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Foto: thanks to @flower_inhand

Não importa qual, diziam os existencialistas, mas é necessário ter um sentido de vida. E a verdade é bem essa mesmo: se você não sabe para qual direção caminhar, não tem “vento a favor” que resolva. A ventania logo se transforma em um turbilhão e acaba nos jogando no olho do furacão. E, diga-se de passagem, para se enxergar a partir deste lugar o esforço é bem maior. Como diz o ditado, o melhor é prevenir a tempestade para não ficar à deriva.

Por outro lado, para posicionarmos melhor a vela, é necessário termos uma noção mais ampliada de quem somos e do que queremos para o nosso caminho. Isto é um pré-requisito para transitarmos em um mundo tão complexo como este em que vivemos, pois os estímulos externos são constantes e tendem a capturar nossa atenção. Por isto, olhar para dentro de si, permanentemente, e se tornar a grande pergunta para si mesmo é o que nos possibilita o autoconhecimento. Somente assim encontramos nosso prumo. Porém, este exercício vem sempre acompanhado do desafio de se autodesconstruir. Ou seja, na medida em que vamos lapidando os conceitos sobre nós mesmos que foram sendo incutidos ao longo da vida, nos desapegamos das verdades absolutas dos outros e abrimos espaço para acolher as verdades relativas da vida.

Colocado dessa maneira, pode parecer algo muito complicado de entender. Mas é simples. Traduzindo em miúdos, isto apenas quer dizer que a gente precisa deixar de pensar que sabe tudo, que é dono da verdade e da razão, que se comporta e é do “jeito certo”. É necessário abandonar de vez a crença de que somos perfeitos. Claro, nós vivemos gritando, da boca para fora, que “somos seres humanos falíveis”, mas não perdemos a chance de tentar provar o contrário, principalmente quando estamos diante de situações divergentes. Quando o outro pensa e sente diferente de nós, quando o outro tem crenças e conhecimentos diferentes dos nossos, quando o outro defende uma causa diferente da bandeira que levantamos, tudo se torna duvidoso. Facilmente, o outro se torna o ponto de interrogação ou, então, o “errado” para o qual nosso dedo aponta.

Felizmente, o mundo está mudando intensamente, mesmo que estejamos experimentando a sensação do retrocesso nesses últimos tempos. O engajamento das pessoas com as grandes questões do existir é evidente e cada vez maior. Pessoas, em diversas partes do planeta, estão despertas e ocupando um lugar de fala importante para denunciar o óbvio: a urgência de mudança em todos os sentidos e níveis estruturais.

Talvez, o que deixa a impressão de que as pessoas não estão nem aí com mundo ou com a vida é o fato de defenderem uma causa diferente da nossa e ela parecer insignificante ou banal aos nossos olhos. Não há uma causa apenas para virar bandeira. São tantos acontecimentos, fatos, eventos. O fundamental é nos reconhecermos capazes de lutar por alguma coisa, por menor que seja.

Quando alguém questiona o meu fazer e tenta me cooptar para alguma causa, costumo  repetir para mim mesma: se eu não defendo a causa dos outros, tudo bem. Se os outros não defendem a minha causa, tudo bem também! O mais importante é que as nossas causas tenham como motivação sermos pessoas melhores e construirmos um mundo em que todos os seres vivos, sem exceção, possam compartilhar das experiências edificantes que este planeta nos proporciona.

O mundo pode tutelar, pacificamente, todas as causas que sustentam a ética e promovem justiça, amor e bondade. Simples assim! Se você é “Namastê” e o outro é “Salvem os Golfinhos Rotadores”, se um amigo é “Viva a Democracia” e outro “Vivam os Elefantes Africanos”, tudo bem! Juntos, cada um com a sua bandeira, estaremos gerando vibrações positivas para mudar o planeta. E é disso que precisamos: uma avalanche de transformações em todas as áreas e setores das nossas sociedades.

Agora, se você acha que tem uma causa plausível, mas, com ela e por meio dela, está causando algum tipo de sofrimento, discriminando pessoas, desrespeitando direitos, reprimindo a expressão dos outros, matando seres vivos, tomando posse daquilo que não é teu, sendo injusto ou conivente com a injustiça, então, é natural que você se irrite diante de bandeiras sociais, democráticas, ambientalistas e humanitárias.

Nestes casos, só dá para sugerir uma nova reflexão, levando em consideração a seguinte questão: esta causa realmente promove bem-estar para todos os seres vivos deste planeta? Também dá para acender uma vela de sete dias, fazer oração, mandinga, saravá, pedindo para que o véu da ignorância seja substituído pela luz da sabedoria. E que assim seja!

Esse post foi publicado em Crônicas, contos e poemas, Meditando e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Uma causa pra viver e pela qual lutar

  1. Guilherme Azevedo do Valle disse:

    Assino embaixo, concordo plenamente. Não é a toa que somos irmãos de jornada! Muita paz a todos nós! Com nó ousem nó pelo caminho!!

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