Meu melhor mergulho

andreasilveira_fernandodenoronha

@andreafsilveira – Fernando de Noronha

Há alguns meses, uma amiga e eu começamos a planejar nossa viagem a Fernando de Noronha. O paraíso prometido, sem dúvida, trouxe muita empolgação e não poupamos esforços para realizar esse sonho. Uma das primeiras sugestões que recebi foi fazer o curso de mergulho antes, pois eu já acumulava duas tentativas mal sucedidas de snorkeling, e seria um desperdício não poder apreciar a vida marinha novamente. Não hesitei. Fiz minha inscrição em uma escola, cujo nome é bem significativo: Dive for Fun (Mergulho para Diversão/Divertir-se).

De fato, me diverti muito fazendo o curso, até chegar na parte prática. Foi quando me deparei com as minhas limitações e, se não for “for fun”, de que adiantaria todo aquele empenho? Então, respeitando o movimento de aceitar aquilo que não dou conta, guardei a parte boa da experiência e fui embora para Noronha “só” para fazer snorkeling. Pelo menos isto eu já poderia garantir. Simples assim!

E como uma coisa simples pode ter se tornado tão extraordinária?!

Acabamos optando pelo “mergulho à reboque”, que utiliza uma prancha no formato hidrodinâmico e nos permite maior controle para afundar ou permanecer na superfície. Alternativa excelente para conciliar as dificuldades pessoais com a experiência de mergulho e a curiosidade sobre a vida marinha. É possível ver muita coisa dessa maneira. Inclusive, para além das tartarugas verdes, filhotes de tubarão, arraias e peixes. Isto tem de monte na ilha. Mas há também um mundo inteiro espelhado no mar. Quem sabe, até mesmo, uma outra dimensão do universo.

Por causa da velocidade da luz dentro da água, tudo fica cerca de 25% maior e isto afeta também a noção de proximidade com o que vemos. Olhar para dentro do oceano trouxe a sensação de estar sobrevoando um vasto território. Em determinados momentos, tive a impressão de flutuar sobre o mundo e enxergar a amplitude da vida.

A perspectiva de cima nos possibilita entender que tudo tem um início, mas é difícil definir exatamente seu ponto de origem. E tudo aponta para um fim. Entretanto, uma pequena mudança no ângulo de visão faz com que o final seja o recomeço. Depois do “acabou”, nasce um novo caminho. Quando chega o “fim”, ainda não é o último capítulo da história. E se tomamos como definitivo alguma coisa, vem a eternidade para nos convencer de que o presente é relativo e a vida é atemporal.

Se esticássemos a vida numa régua, poderíamos supor a medida das nossas experiências. A alegria e o sofrimento teriam lugar certo e seríamos capazes de isolar os acontecimentos. Mas, olhando aquilo que antes era desconhecido e misterioso, entendi de outra forma o conceito de conexão: tudo está absolutamente permeado do oceano. E no êxtase dessa compreensão está a leveza de reconhecer-se inteiro, e não mais como parte.

Esse post foi publicado em Crônicas, contos e poemas, Meditando e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Meu melhor mergulho

  1. Luiz Antonio Tannous disse:

    Como sempre…perfeito!

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