A morte do homem de ferro

Após intenso lobby do meu filho para que eu fosse assistir Avengers, me deixei convencer. Diria mesmo que senti meus princípios sendo corrompidos quando comprei o bilhete do cinema. Por outro lado, confesso, o fato de estar pagando meia ajudou a desarmar um cadinho a consciência: ao menos não seria tão mais caro comer pipoca diante do telão.

Já havia me preparado psicologicamente para as longas horas de filme sem entender a sequência da história, nem as piadas internas. Mas, para quem mistura doce com salgado, qualquer enredo fica fácil de digerir. Então, basta prestar atenção para não quebrar o dente com os baguinhos da pipoca ou engasgar com as casquinhas, e ajeitar bem o óculos 3D no rosto para não cair, em caso de um vacilo qualquer. No mais, uma vez ali, o segredo é se entregar para a aventura.

Sessão iniciada. Muita agitação e matança com personagens e cenário aparentemente surreais. Porém, com uma lógica muito bem refletida sobre a natureza humana e seus conflitos existenciais. E eu que achava que iria apenas saborear um saco de pipoca. Admito o equivoco e me curvo para o clã da Marvel. Há uma chance, entretanto, de que eu tenha vestido minha capa de psicóloga para justificar o investimento da meia entrada.

De qualquer maneira, foi interessante observar também a reação da plateia. Não faltaram risadas e, mesmo que eu não tivesse noção do que estava acontecendo na tela, aquilo parecia ter muito sentido. Em determinado momento, quando o “homem de ferro” encontra seu pai no passado (desculpem o spoiler!), fiquei com a impressão de que algumas pessoas exalavam coraçãozinhos pela sala. Várias cenas recheadas com sussurros e outras com uma dose de adrenalina pulando da tela e sacudindo os baldinhos de pipoca. Não o meu, claro. Àquela altura do filme, já tinha devorado tudo.

Não compreendo a importância do “homem de ferro” no universo da Marvel. Entretanto, ele me instigou a pensar sobre os homens e as mulheres de ferro que fizeram e continuam fazendo das tripas o coração para se protegerem e protegerem os outros dos estilhaços da nossa sociedade. E, quando o “homem de ferro” morre (de novo: desculpem mais este spoiler!), o cinema ficou completamente mudo. O desconforto generalizado parecia integrar ficção e realidade em um único filme. Não se ouvia absolutamente nenhum outro som na sala, a não ser o barulho do ponto de interrogação caindo sobre as nossas cabeças como um ultimato de fato: e agora, quem vai nos salvar da barbárie que estamos vivendo?

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2 respostas para A morte do homem de ferro

  1. Antonio Vitorino Cardoso disse:

    Agora, vou ter que me render também pra ver

    Rssss

    Beijos

    >

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