Que mundinho (extra)ordinário

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“Every storm runs out of rain, just like every dark night turns into day.” GMB Akash @gmbakash

São tantas desgraças acontecendo na face dessa terra que a gente perde até o rumo de casa. Dá uma vontade insana de chutar tudo que vemos pela frente e uma descrença doída pelas pessoas. Para onde olhamos tem coisa ruim tomando espaço. Uma desavença familiar, as contas que não fecham no final do mês, alguém que perdeu o emprego e até a pia da cozinha que inventa de entupir.

E isso é só banalidade porque se esticarmos os olhos um cadinho a mais para o outro lado, nos deparamos com os bandidos no poder, a violência contra a mulher crescendo, os cortes na educação enquanto tem professores apanhando e sendo assassinados, os cortes na saúde enquanto tem pobre morrendo na fila do atendimento médico e os médicos furtando-se do juramento de Hipócretes para não irem trabalhar no meio da floresta.

Pior do que isso não dá pra ficar. Ah! Já deu.  E ficou!

Agora nem precisamos atravessar o continente, pois os conflitos civis já estão nos alcançando e ameaçando a nossa paz. Nossa paz?! Quem, em sã consciência, conseguia ficar tranquilo sabendo das guerras nos territórios árabes, dos naufrágios dos pequenos botes lotados de pessoas que se arriscam para salvar o que sobrou das suas famílias em um “novo mundo”, do abandono e dos estupros nos acampamentos de refugiados e das centenas de congoleses morrendo por causa do ebola? Quem?

O mundo, velho, parece estar despencando ou então despontando dos escombros do inferno. E os noticiários não param de anunciar a nossa falência: corrupção, ganância e descaso em todos os continentes, sem exceção. Na maior parte do dia, é como se estivéssemos vivendo dentro de um filme apocalíptico, daqueles em cujo enredo as trevas se espalham sobre o planeta e as sombras dominam tudo, sugando a nossa fé congelada como um picolé saboroso. A “gangue do mau” vai cooptando os “desertores do bem” porque as pessoas já estão desanimadas e cansadas de lutar. Elas não resistem mais às perversidades a que são submetidas, nem às energias densas e obscuras que ganham força.

Será que está faltando luz nesse mundo? Cadê nossos “avengers”? Já estamos vivendo o ultimato do tempo!!

Mas, espera lá! Para cada um desses eventos mencionados há uma infinidade de outros acontecimentos contrários, em todos os cantos do planeta (dizem até que em outras dimensões também!). Tem muita gente fazendo coisa boa por aqui: gente salvando gente em desastre, gente escondendo gente pra não ser pego pelo fogo cruzado dos malucos atiradores, gente defendendo bicho, gente reflorestando e plantando horta sem agrotóxicos, gente monitorando ministro pra não deixar piorar nossas políticas públicas, gente se voluntariando pra salvar vidas no sertão, gente ensinando pessoas com deficiências diversas a fazerem a diferença, gente promovendo meios para outras gentes crescerem e prosperarem.

A luz nunca faltou, nem deixou de brilhar, e as oportunidades de vida continuam se renovando todos os dias. Pessoas que, aparentemente, não fazem nada estão mudando a realidade onde vivem com pequenas iniciativas e atitudes singelas. Enquanto querem nos fazer acreditar que tudo está sucumbindo, tem um batalhão de anjos e arquanjos vestidos de humanos se infiltrando nos mais variados setores das nossas sociedades para realizar projetos inovadores e autossustentáveis a fim de garantir o bem estar geral.

Todos os dias temos notícias ruins e todos os dias encontramos coisas boas que não param de se opor às tentativas de sabotar o que temos de mais sagrado: nossa luz divina! É uma linda música nova que encanta nosso coração e fecha nossos ouvidos para aquela letra degradante do hit do momento. Um grupo de alunos que se mobiliza para pagar o salário atrasado do professor, mesmo que outros colegas sigam fazendo bullying com os demais. Alguém que visita um doente no hospital, levando apoio moral, um cientista que dedica noites em claro, “fazendo balbúrdia” no laboratório para descobrir um novo medicamento. O padeiro que pula da cama no frio da madrugada pra gente comer pão quentinho no café da manhã. O camponês que se torra no sol e se atola na chuva para assegurar que tenhamos comida.

Todo dia é um santo dia, abençoado por alguém que faz alguma coisa para o nosso mundo ser melhor ou para que os seres que vivem nele sejam melhores. Mas podemos escolher concentrar a nossa atenção na crise humanitária, na crise política e econômica, pois elas estão mesmo presentes em nosso cotidiano. Não há dúvida e nem tampouco podemos ignorar a inflação, o desemprego, a fome, as doenças, a roubalheira dos governantes, o empobrecimento da população, a negligência em áreas estruturais como a saúde e a educação.

Por um lado mais edificante, talvez possamos manter um olho no peixe, outro no gato. E mais, podemos honrar, por meio das nossas atitudes individuais e simples, o extraordinário que faz os nossos dias valerem todos os grandes e pequenos sacrifícios para nos iluminarmos.

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