Felicidade!

Akash é um dos meus fotógrafos favoritos. Nascido em Bangladesh, ele desenvolveu o dom de clicar a realidade e tocar a nossa alma com imagens que despertam a consciência e a compaixão. Ao mesmo tempo em que revela nossas falhas como coletivo humano, seu trabalho também mostra a luz que desponta por detrás de precárias condições de vida e dá visibilidade para as pessoas e situações capturadas por suas lentes.

O retrato de Montaj Mia, por exemplo, traz uma belíssima reflexão sobre as escolhas que fazemos ao longo da vida e deixa um ensinamento muito claro: a felicidade é um estado inadiável!

Após ter ficado viúvo, ele passou vários anos cuidando dos filhos e se dedicando exclusivamente à sua família. Quando, finalmente, encontrou um novo amor e foi viver esta alegria, passou a ser criticado por amigos e familiares. Ainda bem que ele não se deixou consumir pelos comentários das pessoas. Seguir em frente, experimentando situações felizes pode ser um ato de muita coragem.

Olhando para essa figura de barba e cabelos alaranjados, fica impossível não se questionar sobre sua excentricidade. Para alguns, Montaj pode parecer apenas mais um “maluco beleza” querendo chamar a atenção para si. Mas há também aqueles que compreendem a beleza deste “maluco” nos convidando a apreciar sua conquista, após tantos sacrifícios. E é exatamente para este aspecto que o contorno ensolarado do seu rosto nos invoca.

Quantos de nós foram condicionados a acreditar que a felicidade dos outros vem em primeiro lugar? Quantos de nós tentam satisfazer as expectativas dos outros na maior parte do tempo? Quantos de nós adiam a realização de um sonho para priorizar o desejo de outra pessoa?

Colocada sob pontos de interrogação, a felicidade, neste caso, parece se opor à generosidade na sua forma mais genuína. O desprendimento e o desapego nos levariam ao sofrimento e, consequentemente, à infelicidade. Nesta perspectiva, qualquer sacrifício pelo outro é um castigo e uma prisão. Uma vez neste caminho de abnegação, ninguém pode pegar um atalho para realizar algo em benefício próprio sem que seja crucificado pelos outros. Há um peso em fazer o outro feliz e também um peso em ser feliz.

Na contramão deste cenário, porém, está a compreensão de que é possível conciliar a nossa felicidade com a das pessoas com quem convivemos. Ninguém precisa ser punido por ser feliz, pois a nossa felicidade traz alegria para as outras pessoas e levar felicidade para os outros reforça também a nossa alegria de viver. Se somos pessoas mal resolvidas, como esperar que nossas ações para fazer os outros felizes gerem a energia de amor e de compaixão que transmuta o sofrimento alheio em felicidade? E isto não é apenas um jogo de palavras. É o entendimento, de fato, de que temos ambos: o compromisso de sermos felizes e de levarmos felicidade por onde caminhamos.

Uma coisa não exclui a outra e quando isto acontece, que felicidade é essa?

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2 respostas para Felicidade!

  1. Antonio Vitorino Cardoso Neto disse:

    Lindo!!!!

    E a Lapônia? Saudades

    Beijos

    Enviado do meu iPad

  2. thaisgurgel disse:

    Como disse a felicidade é realmente inadiável ! E não dá pra ofertar alegria sem permitir ela antes dentro da gente. Ótimo texto 🙂

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