A vida por um fio

...seguimos morrendo, não apenas à beira do mar, mas também à margem dos centros urbanos, abaixo da curva do desenvolvimento... Foto: Jay Srivastava

…seguimos morrendo, não apenas à beira do mar, mas também à margem dos centros urbanos, abaixo da curva do desenvolvimento…
Foto: Jay Srivastava

Assim como no universo das mandalas, a vida da gente se desenha pelos pontos de intersecção entre as pessoas, seu tempo, sua história, suas ações. Muitas narrativas se desenrolam aqui e ali, mas é a História das histórias que vai alinhavando as lições necessárias para mantermos ou rompermos o que construímos pelo caminho.

Por mais isolado que possa parecer um evento, ele estará sempre associado a outras vivencias, outros fatos e diferentes escolhas, feitas em momentos específicos, sem mesmo nos darmos conta. Entretanto, mesmo que não entendamos o seu significado naquele instante em que ele se apresenta para nós, algum tempo depois a “ficha cai”.

Mas que tempo é esse?

Para algumas pessoas, uma vida inteira; para outras, uma fração de segundo é suficiente. O fato é que o mundo gira, tecendo nossa existência gradativamente e, à imagem de um caleidoscópio, nenhum desenho se repete. Porém, o padrão de organização da vida nesse mundo pode insistir em configurações semelhantes e aí, não há saída: repetimos os mesmos erros, tropeçamos nos mesmos descasos.

É quase como se a vida fosse um bordado pré-moldado: o rascunho está ali projetado para que possamos ir passando a linha e destacando a história tal como alguém desejou. Há quem acredite que somos dotados do livre arbítrio, podendo mudar essa estampa no meio do caminho. Talvez sejamos, mas dentro de um limite possível, pois as evidências parecem mostrar que somente constituímos novos arranjos com o “tipo” e a “cor” do fio que escolhemos bordar. O restante permanece exatamente igual: uma miopia sobre a nossa verdadeira natureza nos impede de enxergar a luz em nós e de reconhecer nossa capacidade para romper com as sombras.

E assim, infelizmente, seguimos morrendo, não apenas à beira do mar, mas também à margem dos centros urbanos, abaixo da curva do desenvolvimento, aquém da expectativa e do ideal projetado para o nosso bordado.

Continuamos matando o sonho do Deus universal que, na origem, nos criou à sua imagem e semelhança. Se ele queria Ser através de nós, conseguimos cercear seu desejo de diversas formas. Negamos a sua essência em nós, reprimimos o seu potencial criador e amoroso.

Agora, o mundo parece estar por um fio. Portanto, que possamos tirar das nossas sacolinhas de costura a linha da esperança e da solidariedade para traçarmos um mundo de paz para todos!

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