De volta ao caminho

Foto: Réhahn Photography

Foto: Réhahn Photography

Um lapso de tempo pode dar a impressão de que o caminho desapareceu nas brumas, mas ele continua lá, pacientemente à espera do peregrino. O nevoeiro toma conta e se expressa sob a forma de divagações, ruminações quase permanentes, formando uma espécie de emaranhado mental que aprisiona o caminhante. Mas o caminho continua lá, no aguardo.

As tentativas para desfazer o nó são exercícios constantes e embora o viajante se perca na trilha com frequência, o caminho continua o mesmo. Com sabedoria, o tempo vai provendo outros atalhos para socorrê-lo, com lições que o permitem reconhecer o espaço que habita e adquirir mais clareza sobre sua condição de aprendiz.

Chega determinado momento em que um conjunto de fatos desperta o peregrino e ele consegue se colocar de volta na caminhada. Esses instantes de “loucura necessária” o levam a compreender o processo de hibernação e a enxergar sua pequenez: nada é tão especial que possa afastá-lo da simplicidade.

Nenhuma força do ego é capaz de jogá-lo de volta no mundo de samsara de maneira inconsciente e determinante. O caminhante sabe das armadilhas da ilusão e mesmo se rendendo aos seus encantos, ele encontra a abertura necessária na porta de saída.

Para ele, entregar-se provisoriamente a esses momentos de aparente estagnação é apenas um acontecimento transitório. Significa uma fresta pela qual ele pôde escapar da sua consciência e repousar a intensidade dos sentimentos. Porém, ele reconhece que o caminho está lá, vibrando para que suas forças se refaçam, a coragem se revigore e o desapego se encarregue de mostrar que não há vida nas turbulentas rodas de samsara.

É preciso seguir o curso da alma: superar a mesmice, transformar a si próprio, encontrar o fluxo da luz.

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3 respostas para De volta ao caminho

  1. Poli disse:

    Wow! It is really good to read you again!

  2. sonia silveira disse:

    Que bom que voltou!!!! Amo!!! Bjs

    Enviado do meu iPhone

    >

  3. marco aurelio de oliveira disse:

    Oi, dentro desse assunto, cabe um texto que li a algum tempo:

    Eu, às vezes, puxo meu próprio tapete- auto sabotagem- inveja de mim mesmo (a).

    Como disse Omar Ali Shah, o mestre sufi contemporâneo Agha, em Agosto de 1989, na Espanha:

    “Um dos impactos mais danosos da culpa é o quanto ela age como impedidora da chegada das bênçãos.”

    O Trabalho interno é muito mais árduo que imaginamos. Na caminhada de “volta para casa”, faz-se necessário um guia confiável que já trilhou esse caminho, pois temos um inimigo interno poderoso-inconsciente – uma porção “puxa para trás”, ou auto sabotagem, que é um dos grandes vilões de nossa história.

    Que o Todo, o Absoluto, Deus, nos ajude a nos tornarmos conscientes disso cada dia mais e facilitar o trabalho da vida que insiste em FLUIR em nós…..

    “Quando o buscador tenta colocar os ensinamentos em prática, ele se dá conta de que carrega dentro de si uma resistência muito grande para realizar aquilo que conscientemente tanto deseja. Esse tem sido o ponto central do estudo que eu tenho oferecido aos buscadores, que é identificar essa parcela da personalidade que está trancada em negação e que sabota a felicidade; que sabota todos os esforços que o indivíduo conscientemente faz em direção à prosperidade, à saúde, à harmonia, à união e à paz.” Sri Prem Baba

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