Há luz sobre as sombras

Dizer que tudo se resume ao paraíso causa desconfiança entre os incrédulos. As pessoas preferem a certeza do sofrimento e temem a indefinição da paz. Ficam perplexas com a simplicidade da vida, fazendo de tudo para complicá-la. Justificam o bem como estratégia necessária contra o mal, a fim de controlar qualquer dor.

Parece que nos educaram assim: impedidos de fazer a verdadeira síntese entre os polos, rejeitamos nossos opostos: bem e mal, certo e errado, luz e sombra. Impossibilitados de amar por igual, criamos uma fenda no coração e travamos grandes batalhas, tentando vencer o ego. Então, apegados ao hábito de classificar os acontecimentos, passamos a lutar contra moinhos inexistentes.

Não existe essa de sermos uma coisa OU outra. Somos tudo E nada!

Não somos uma coisa OU outra. Somos tudo E nada!

Sempre que negamos a totalidade do nosso Ser, declaramos guerra contra nós mesmos. Esquecemos que, ao conviver em equilíbrio com os aspectos iluminados e sombrios, encontramos conforto na beleza e na feiura. Afinal, somos indivisíveis. Neste caso, “plenitude” representa a união dos contrários: uni-verso!

Quando completos, sustentamos a alegria e o prazer das experiências, sem culpa e com leveza no espírito. Mas, se vivemos pela metade, passamos o tempo procurando o que nos falta. Demoramos a entender que os vazios surgem exatamente como resultado das subtrações que impomos à nossa alma. Equações que aprendemos a fazer, supondo compor a fórmula certa para garantirmos um lugar no paraíso.

Provavelmente a maioria imagina que, para entrar pela “porta do céu”, precisamos deixar nossa parte “ruim” do lado de fora. Raramente compreendemos que tentar eliminar essas sombras dificulta ainda mais o processo de reconhecimento daquilo que somos: muito mais do que a soma de nossas partes. Por isso, ou entramos inteiros, ou não entramos.

A luta entre os opostos nos distrai. Utilizamos energia demais para fortalecer o positivo e punir o negativo que nos habita. Perdemos o foco e deixamos de curtir o melhor da vida. Ao passo que se valorizássemos a diversidade a transição entre “céu e inferno” seria tão natural, que só perceberíamos alguma diferença em função da temperatura! Poderíamos transpirar dançando com o capeta e nos refrescar voando com os anjos. Aproveitaríamos todas as oportunidades, sem preconceito ou julgamento. Nem exageros.

Entretanto, insistimos no projeto da perfeição. Sequer nos lembramos: sublime e celestial são sinônimos de “ideal”, o que pode também significar “irreal”. Mas nós… nós somos reais!

Que existem “forças do mal”, não podemos negar. Porém, cogitar a possibilidade de nos livrarmos delas me parece ingenuidade. Seria o mesmo que amputar um pedaço de nós. Por outro lado, deixar que elas dominem o nosso mundo indica omissão e covardia. Talvez, negligência. A saída mais digna pede uma conciliação entre as partes. Isto, sim, pode trazer a paz que tanto almejamos.

Da busca pelo equilíbrio surgem infinitas oportunidades de vida!

Da busca pelo equilíbrio surgem infinitas oportunidades de vida!

Viver em perfeita harmonia requer anistia à “metade exilada de nós”. Unir as pontas extremas e afastadas da nossa existência nos permite fechar o círculo do infinito em nós mesmos. Só então sentiremos o sabor da liberdade por inteiro, com suas nuances agridoces: incontestável consagração da unidade capaz de transformar e ser transformada.

Por isso, libertação mesmo somente quando conseguirmos manter a moeda em pé. Suas faces possuem idêntica importância, ainda que representem lados diferentes. Assim se faz a vida: através da complementação dos opostos. O paraíso também.

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Uma resposta para Há luz sobre as sombras

  1. Edna Wilck disse:

    Encanta-me receber como presente desta criatura talentosa da vida e da alma e dos feitos do conhecimento perene, que traduz, psicografa a realeza do Ente do Ser! Para o meu momento, é a religação com a textura dual de realidade. Raridade em nosso mundo, restaurar o côncavo e o convexo e fundí-los em sua unidade. Meu agradecimento e saiba que seu ver e sentir, seu identificador caleidoscópio é regenerador. Virtuosa crônica de vida que desponta com um misto de amplitude, vejo a palestrante que chega para multiplicar consciências pelo mundo afora. Esse é um desejo meu de sempre, por conhecê-la na integralidade, Andreita amada!
    Edna Wilck.

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