Confissão ao anjo da guarda

Muitos são os anjos que nos acompanham. Poucos são aqueles que se deixam tocar por eles.

Muitos são os anjos que nos acompanham. Poucos são aqueles que se deixam tocar por eles.

Há algum tempo venho tentando seguir a “voz interior”. Aquela que diz a verdade sobre nós mesmos e conduz nossos passos na direção “certa”. Uma referência segura, sempre à disposição para nos orientar. Sem vacilar, ela se faz presente nos momentos difíceis ou de tranquilidade.

Para cada pessoa, existe pelo menos uma voz. Ela representa o conjunto de almas que mantêm afinidade conosco e foram designadas a zelar por nós: o “anjo da guarda”, que vibra amor permanente. Alma que chora quando entristecemos e festeja a nossa alegria. Capaz de nos seguir pela sombra da noite, sem jamais nos abandonar à própria sorte.

Esse “guia protetor” está sempre atento aos nossos movimentos e escolhas. Toda vez que percebe nossa hesitação, emana energia suficiente para nos sentirmos mais seguros e fortes. Quando constata alguma ameaça ao contrato firmado com a espiritualidade, ele aciona o botão de alerta.

O sinal geralmente vem na forma de “mal-estar”. Por exemplo, quando tomamos uma decisão e sentimos que algo não se encaixou bem dentro de nós. O desconforto cresce e, depois de insistirmos naquilo, experimentamos o arrependimento.

Nem sempre incorporamos a lição. Às vezes, tempos mais tarde, repetimos os mesmos passos. Simplesmente ignoramos a “intuição”, que nos diz: “Você já viu esse filme antes, lembra?”

Esse “mentor” desempenha um papel secundário em nossa vida. Porém, de extrema importância. Suas contribuições são valiosas e baseiam-se nos acordos que estabelecemos, visando ao crescimento espiritual. Uma de suas tarefas é refletir nossos propósitos, ajudando no processo de escolha. Isto o torna, por assim dizer, cumplice da nossa jornada.

Mas, embora disponível vinte e quatro horas por dia, a decisão sobre qual caminho seguir é inteiramente nossa. Mesmo que ele envie todos os alertas necessários para nos avisar sobre as consequências de cada alternativa, a opção final cabe a nós, pois somos dotados do livre-arbítrio.

A maioria de nós sente a proximidade com o “anjo protetor”. Alguns até conseguem conversar com ele, como se estivessem trocando ideias com o melhor amigo. Outros já se mostram menos abertos à essa convivência diária. Ainda assim, o anjo não desiste: permanece firme ao nosso lado!

Confesso que, se eu fosse o meu “anjo da guarda”, já teria perdido a paciência e sucumbido. Toda teimosia em querer correr pelos atalhos deve arrepiar suas asas. E minha “surdez espiritual” cria uma espécie de redoma refratária, dificultando seu trabalho.

Por mais que ele seja claro nas suas orientações, eu sou lenta na decodificação: perco o timing e, quando finalmente tomo consciência da situação, já é tarde demais. Sendo impossível voltar atrás, só resta o desafio de lidar com a realidade do momento. Então, invento umas historinhas bonitinhas só para acreditar que fiz a melhor escolha. Questão de interpretação, em defesa dos meus “interesses outros”.

Quando sou pega em flagrante, me desviando do caminho, tento disfarçar e me concentro no pedido de desculpas, com umas orações extras. Mas anjo é anjo: tem supervisão e sabe reconhecer nossos deslizes a quilômetros de distância. Entretanto, ele nos acolhe sem julgamento e, com sabedoria, diminui o constrangimento causado pelos erros.

Cumprir “metas espirituais” não é tarefa das mais fáceis. Com tantas distrações no mundo terreno, podemos nos entregar aos eventos cotidianos sem alcançar nossos objetivos. Nesse momento, um puxão de orelha pode ser bem-vindo. Porém, no meu caso, costumo fazer de conta que não é comigo. Pobre do meu “anjinho”. Inúmeras vezes deve pensar: “Essa não tem mais jeito. Só mesmo um tratamento de choque!”

Apesar disso, ele se mantém fiel ao nosso compromisso. Isto, sim, é amor. E caridade legítima!

O ofício de anjo também requer compaixão. A aceitação do outro, com suas qualidades positivas e negativas, faz parte do pacote. Enxergá-lo, na sua totalidade e para além das suas dificuldades, é uma habilidade divina.

A maioria das pessoas, inclusive eu, já questionou o “sexo dos anjos”. Mas aprendi que isso não tem a menor relevância. Tanto faz se eles aparecem na forma masculina ou feminina. O fundamental é a força das suas vibrações.

Provavelmente, tudo é bem calculado: quanto mais indisciplinado o protegido, mais atento deve ser o protetor. Trabalho dobrado para o meu anjo: esse não tira férias nunca! Ainda bem que o anjo é ele, ou ela. Do contrário, eu já teria passado o cargo para frente. Serei eternamente grata ao “guia” que me acompanha. Constantemente repito: “Jamais teria sobrevivido sem as velinhas que ele acendeu para iluminar minha consciência!”

Mas não sou nenhum anjo materializado. O caminho é infinito. Por isso, vou me esforçar para dar um descanso a ele. Não prometo sucesso imediato, pois, além do livre-arbítrio, também tenho o dom da irreverência. Então, que Deus escute esta minha confissão e tenha piedade do meu anjo, recarregando sempre sua energia. Amém!

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5 respostas para Confissão ao anjo da guarda

  1. Suely Pucci disse:

    Isso que é um anjo forte, hein? Mas ele é dos bons em serviço, minha querida! Sua msg é um grande alerta para que cuidemos com muito carinho dos nossos “Incansáveis” anjos da guarda. O meu também é bem paciente, rsrsrs… beijos!

  2. Guilherme Valle disse:

    O meu anjo tem usado como estratégia às minhas dificuldades de escutá-lo, a de se expressar através de alguns amigos(as), a quem sou muito grato pelas mensagens e dicas para que eu possa avançar na minha busca espiritual.

  3. néia disse:

    Amei. Faço minhas a sua confissão.

  4. Ana Luiza disse:

    kkkkkkkk Seu anjo deve ter muito orgulho de vc minha mana amada! Que ele te ilumine sempre com esse amor e esse carinho todo! E, vai escrever bem assim…. mais perto de nós! Amo vc!
    Bjos

  5. Luiz Tannous disse:

    Minha querida.., maravilhoso! (como sempre).parabéns! Bjo grande.saudades.

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