Na dose certa

O mais difícil mesmo, é a arte de equilibrar!

O mais difícil mesmo, é a arte de equilibrar!

Alguém disse que a diferença entre “veneno” e “remédio” está na dose. Fiquei tentando imaginar possíveis comparações na vida real e encontrei elementos em abundância.

Grande quantidade de sal ou de açúcar pode causar um “bom” estrago no organismo. Já a dose certa dessa combinação torna-se um poderoso soro para reidratação, no quadro da diarreia, por exemplo. Esta última, muitas vezes causada pela “dose errada” de comida. Por outro lado, quando nos alimentamos na “dose certa”, ganhamos saúde.

No campo afetivo, a lógica parece a mesma: amor “de menos” pode resultar em negligência, sofrimento e até violência. Amor “demais”, também. Os extremos são uma espécie de “amor-veneno”. Mas se amarmos em dose equilibrada, alcançamos o “amor-remédio”. Aquele com potencial de curar feridas e renovar a energia transformadora dentro de nós. A dose certa de amor é aconchegante e libertadora, ao mesmo tempo. Fórmula perfeita para tudo!

Com a verdade, não é diferente. Embora, afirmam por aí, a verdade só é verdadeira se for completa. Caso contrário, chama-se “mentira”. Mas, então, o que pensar das “meias verdades”? Não seriam elas doses diluídas da “verdade-veneno”? Ou talvez sejam equivalentes àquela historinha que contamos sobre o “gato que subiu no telhado”, numa tentativa de disfarçar o impacto da queda. Seriam essas “quase-verdades-inteiras” o remédio?

Há pessoas que exageram na dose de sinceridade e destilam um pouco de veneno por onde circulam, mesmo entre os amigos. Às vezes, deixam um sabor amargo no ar. Nos bastidores, elas ganham um rótulo: “sincericidas”. Cometem assassinato ou suicídio cada vez que abrem a boca, maldizendo alguma situação. Parte dos amigos tenta evitar o confronto com elas. Por motivos variados: têm medo da “verdade-remédio” ou querem se proteger da “verdade-veneno”. Mas sempre encontramos aqueles imunizados, capazes de suportar bem a “overdose”. Ou, com sorte, salvam alguns que ainda não desenvolveram nenhuma intolerância (nem aos amigos, nem às verdades!).

É provável que a verdade combinada com a dose certa de amor seja o remédio necessário para os tempos atuais. Nem mais, nem menos. Apenas atitudes construtivas, transparentes. E com uma dose extra de ética. Isto, sim, pode representar o antídoto contra o veneno que estamos sendo obrigados a ingerir, diariamente, na política brasileira.

Falta “verdade-amor”,  sobra “mentira-desamor”. Falta a dose certa de vergonha na cara para muitos, sobra o descompromisso da parte de alguns. Falta remédio, em vários sentidos, para a população. Sobra politicagem entre os poderosos. A realidade nos faz parecer descompensados, como se estivéssemos experimentando o próprio veneno, enquanto buscamos a salvação.

Se a diferença entre remédio e veneno está apenas na dose, não adianta importar conta-gotas, pois nos falta o elemento principal: a dignidade política. Ainda estamos engatinhando. Bem que podíamos voltar às ruas e ensinar a química da participação popular ao poder público. Mas talvez nem isso ajudasse a cobrar decisões precisas em alguns julgamentos. Manifestar-se pode ser um excelente remédio. Vandalizar é, incontestavelmente, o veneno. Mas a dose certa, só mesmo colocando a mão na massa e escolhendo melhor os ingredientes nas próximas eleições. O que será um grande desafio, pois parecem todos farinha do mesmo saco.

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3 respostas para Na dose certa

  1. sonia silveira disse:

    Muito bom, Andrea.
    Bjs

  2. leonardo disse:

    Parabéns pelo ótimo conteúdo do texto, não sabia que você escrevia tão bem. Continue me mandando o que você escreve. bjssssss

  3. EDNA WILCK. disse:

    Apenas, mais uma vez, encontro em sua crônica “na dose certa” de sentir, re-fletir, corporificar e após traduzir com determinismo equilibrado, brando, firme. Um facho de luz e consciência inalterada e legítima, estupendamente inédita e necessária a todos nós que, por vezes, desfraldamos bandeiras sem a menor conduta de aplicarmo-nos na dose certa. Porém, isso exige discernimento, experiência real de vida no ato e no fato! Você, Andréa, me acorda, me anima, me fecunda naquilo que a minha fé repousa: verdade! Expor-se e propor mudanças, tomar o rumo das questões nas próprias mãos! Ser presente, ativo, participe. Achar o caminho do meio. I LOVE YOU, MY FRIEND!..Thanks..

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