Salve o “caminho do meio”

Cuidar da saúde, combatendo o sedentarismo e buscando uma alimentação balanceada, não é uma receita moderna. Aos que ficam brigando com as fórmulas divulgadas para garantir “a boa qualidade de vida”, atenção: as culturas orientais já pregavam isso há milênios. Por que tantas pessoas se incomodam com a valorização do condicionamento físico e criticam os naturalistas de plantão?

Parece que criamos guerras desnecessárias e nos detemos na perspectiva “errada” do contexto. Associamos as propagandas ao cultivo da estética e dos hábitos padronizados, ao invés de reconhecer nelas os sinais de alerta. Esquecemos que, na sua origem, o foco da questão é manter o equilíbrio do organismo e a harmonia com a natureza. Pronto. Mais nada.

Por que não podemos ficar só com isto?

Considerando que cada indivíduo funciona de um jeito particular, dentro de uma conjuntura específica, o que é saudável para uns pode ser inacessível ou causar desconforto para muitos. Algumas pessoas conseguem fazer atividades e digerir alimentos que outras são incapazes de realizar e consumir. Precisamos encarar o “seja saudável” como convite, e não imposição da “sociedade contemporânea”.

armandinho-controversiaSobretudo, é nossa tarefa adicionar uma boa dose de sabedoria neste discurso, pois nem tudo o que se diz por aí serve para todos. Não precisamos exagerar com as reações. Nem fazer apologia à qualidade de vida ou culpar as ideologias da nossa sociedade. Há informações valiosas e pertinentes, resultado de pesquisas e experiências positivas. No entanto, sempre encontramos incoerência numa parte destes estudos. Assustados com o “não pode e não deve”, acabamos provocando uma “crise de abstinência antecipada”.

O mundo mudou? Certamente. E as pessoas? Sem dúvida. E, junto com elas, as suas práticas. Já não absorvemos “as coisas” como antes, pois quase tudo alterou. Muito do que era natural virou processado. Rotularam o açúcar e os corantes de “veneno”. Dizem que até o trigo foi modificado. Adicionaram conservantes, hormônios e outras químicas nos alimentos. Produtos industrializados passaram a compor a enorme lista dos pecados mortais. Refrigerante e fastfood, só de pensar despertam a ira dos “anticapitalistas”. Até leite e o nosso pretinho básico já sofreram sérias condenações.

Mas Deus abençoe as contradições das pesquisas e salve, pelo menos, o nosso cafezinho!

Ao nascer, recebemos a vestimenta no tamanho exato do desafio que enfrentaremos neste período transitório: um corpo capaz de armazenar história e proteger nossa existência. Em regime de parceria, assinamos com ele um contrato que nos torna cúmplices, e não reféns. Dedicar parte da atenção diária a ele não é uma obrigação, tampouco um lazer. É apenas um jeito de exercitar a responsabilidade por aquilo que nos foi confiado. Portanto, cada um deve se mobilizar como julgar mais favorável para manter seu bem estar.

Viver com qualidade é relativo. Existem fumantes inveterados exibindo “saúde de ferro” e atletas convictos padecendo de ataque cardíaco. Sendo assim, nem tanto ao orgânico, nem tanto ao transgênico. Podemos muito, exceto exagerar ou ir para os extremos. O segredo é optar “pelo caminho do meio”, já defendiam os sábios.

Preservar a saúde, a alegria de viver e a qualidade do afeto não é uma determinação ou um decreto da “classe dominante”. É uma escolha pessoal. Individualmente, decidimos a orientação dos nossos passos. E que maravilha ter gente correndo nos parques, andando de bicicleta, se alimentando de “comida viva” (neste caso, não vale morder a coxa do boi no pasto!), tomando chazinho de ervas, usando homeopatia e florais.

Não deixem de ver esta matéria do chef Jamie Oliver sobre o hamburguer do McDonald's: http://www.iestrj.org/materiais/textos/chef-jamie-oliver-vence-demanda-judicial-contra-mcdonalds/

Não deixem de ler a matéria do chef Jamie Oliver sobre o hamburguer do McDonald’s: http://www.iestrj.org/materiais/textos/chef-jamie-oliver-vence-demanda-judicial-contra-mcdonalds/

Mas ainda bem que existem alguns medicamentos sintéticos para nos socorrer nas emergências. Bom também nos deliciarmos com aqueles doces disponíveis nas confeitarias e transgredir os próprios limites, sem nenhuma culpa, com os sanduíches calóricos, as porções de batata frita e as “sementes de cacau processadas em barra”. Afinal, a alma do negócio é ser fiel à nossa consciência, e não à balança dos outros.

Depois de tantas críticas pesadas “engordando” as redes sociais, tentei fazer uma “ginástica” para elaborar um texto light. Na impossibilidade de “enxugar” as ideias, peço um delivery: que tal retirar o açúcar das palavras e torná-lo diet ?

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Uma resposta para Salve o “caminho do meio”

  1. EDNA WILCK. disse:

    Você me envaidece cada vez mais! Seu brilho de converter ideias em diretrizes flexíveis, de incorporar escolha, cuidado e liberdade de ser e fazer, cada um a seu modo e a seu jeito, sem ser tramado por “inclinações”, dramatizadas com o intuito de perseverar em pregação. E sim, no entanto, fazê-lo como sugestão, possibilidade, enfim! Esse mercado, cheio de tentáculos, famigerado em converter e jamais convertido, sei lá! A vida, dada em um instrumento especial, corporificado, merece atenção e cuidados! Somos muitos e somos um só. Saúde psicobiofísica e espiritual é deveras digna de ser experimentada em toda a sua potência! Para mim, existem muitos ruídos e um inequívoco destoamento entre o sujeito e a sua casa, o planeta! Muita neurose, gerada pela dissociação!

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