Minimalismo: virose ou mutação social?

Nos últimos anos, parece que um “vírus” se espalhou pelo Globo. Rapidamente contagiou homens e mulheres, jovens e adultos, provocando saciedade material e uma vontade imensa de se livrar de tudo. Alguns o chamaram de “minimalismo”. Outros, de “viver com menos”.

Muitas pessoas venderam ou doaram a maior parte do que acumularam durante anos e passaram a viver com o que consideram “apenas o necessário”. Definiram a “simplicidade” como estilo, conservando a estética e o conforto já adotados como padrão. Houve quem redecorasse seu espaço para expressar esta nova tendência: experiências pontuais que lembram uma mudança parcial de hábitos, sem discutir os valores por trás deles. Um exemplo disto é a maneira como as grifes famosas (e caras) se apropriaram do “hippie chique”, invadindo as vitrines das butiques: um universo distante da contracultura dos anos 60.

Entre os “contaminados”, porém, está a parcela da nossa sociedade, capaz de fazer uma revolução de princípios e praticá-los no cotidiano. Resultado de um autêntico desapego do superficial. Compreendem que a matéria é um meio e não o objetivo em si. E que passamos por este mundo para investir no crescimento espiritual. Fazem do “menos” uma experiência constante.

“Pessoas pobres são pessoas bonsai: não há nada de errado com suas sementes. Mas a sociedade nunca permite que eles tenham espaço para crescer!” Muhammad Yunus

Pessoas pobres são pessoas bonsai: não há nada de errado com suas sementes. Mas a sociedade nunca permite que elas tenham espaço para crescer!
Muhammad Yunus

Para uns, o minimalismo tornou-se moda ou escolha. Mas, para uma multidão de pessoas, traduz uma imposição social. Longe de ser uma virose passageira, parece ter transmutado o DNA dessa população há séculos. A exemplo do cultivo de um bonsai, os indivíduos tiveram seus galhos podados para permanecer na periferia do capitalismo. Os “pobres” aprenderam a viver com menos, compulsoriamente. E isso nunca foi “vendido” como modismo. Não há nada de excêntrico nesta condição.

Portanto, viver com menos não é um “fenômeno social contemporâneo”, privilégio dos poucos iluminados ou consumidores conscientes. Não se trata de abrir mão do supérfluo e/ou substituí-lo pelo essencial. Viver com menos tem vários significados: “destralhar” os armários do acúmulo de coisas e a vida das lembranças tristes ou rancorosas; optar pela simplicidade material e reduzir a tensão cotidiana gerada na busca de status; priorizar o funcional e reconhecer o que importa; consumir o absolutamente necessário porque queremos colaborar com a sustentabilidade do planeta ou o estritamente possível, pois assim foi “permitido” por uma camada da sociedade.

Vale a pena assistir o documentário: http://youtu.be/PwLjb63q3Yk

Vale a pena assistir este documentário: http://youtu.be/PwLjb63q3Yk

Enfim, reduzir a complexidade da vida pode ser uma combinação destas variáveis. No fim do dia, entender a realidade que pauta o minimalismo é uma tarefa individual e intransferível. Resta-nos descobrir se o crescente movimento, exposto pelos holofotes da mídia, representa um sintoma social ou o amadurecimento da alma humana. Mas o desafio maior consiste em encontrar meios para equilibramos nossas necessidades e os recursos naturais ainda disponíveis.

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