Depois de encontrar a luz, vire à esquerda

A jornada do herói começa sempre em decorrência de uma convocação, que vem do sofrimento ou do amor. Invariavelmente, este chamado é inspirado por uma questão sagrada, que depende da história de cada pessoa. Porém, o mais comum é trilhar o caminho da “dor”. Os primeiros passos são motivados por uma certa indignação com a vida. O que acontece, depois, é apenas o “efeito borboleta”. As coisas vão se encaixando, as conexões vão se estabelecendo e a aventura da revelação de si mesmo (e para si mesmo) acontece.

E, acontece para todos nós, indiscriminadamente!

prova do ceu 1Um amigo do coração me indicou o livro do Eben Alexander III (Uma Prova do Céu, da editora Sextante), que reforça justamente o fato de que a experiência do encontro com o Sagrado desabrocha no “momento certo”, da “forma certa” para cada um de nós. Tudo é sob medida. Embora não saibamos muito bem definir esta espécie de atelier de costura que consegue alinhavar tão bem nossas vestes terrestres.

O livro faz a gente pensar sobre quem somos e sobre a nossa capacidade de expandir nossa consciência para atingir seus níveis mais sutis. Fala sobre a grande conexão e sobre o sentido da existência. Relata a experiência de um neurocirurgião convidado a rever seus paradigmas após uma experiência de quase morte, durante um coma profundo de sete dias.

Sua descrição sobre os diferentes mundos que ele visitou me pareceu tão familiar que cheguei a ficar desconfiada de mim mesma. Me senti totalmente contemplada pela sua peregrinação de quase morte e fiquei me perguntando: como posso estar entendendo o que ele experimentou, se nunca passei por isto antes? Daí me lembrei: ahhh!!! afinal, a gente morre todos os dias; vai ver que é por esta razão!

Quando nos levantamos, toda manhã, precisamos fazer um “update” existencial. Atualizamos nossos sentidos e reabrimos as janelas que nos dão acesso aos mesmos arquivos, porém modificados. De “olhos fechados”, aprendemos tantas coisas sobre o mundo e sobre nós, mas nem sempre conseguimos incorporar o novo na nossa rotina.

Pelo que entendi do autor, sua experiência lhe trouxe um conforto espiritual enorme; uma paz intensa, forjada pelo amor incondicional que o acolheu no além matéria. E, após seu espirito ter voltado para a condição terrena, rapidamente o cérebro se readaptou às suas funções. Entretanto, sua alma permaneceu inquieta, impelida a confrontar a realidade, tal como ele a conhecia antes. Ele sentia que precisava fazer alguma outra coisa a partir daquele momento.

Em histórias como esta, fica clara a dimensão da transformação pessoal. Ganhamos em perspectiva, em segurança, em aceitação do Sagrado, em valorização da vida, em crescimento e amadurecimento espiritual. Por outro lado, é inevitável se deparar também com o grande ponto de interrogação: e agora? O que fazer com tudo isso? É como ganhar na loteria e não ter a mínima ideia de como usar o prêmio.

depois do extaseÉ exatamente esta pergunta que um outro autor, Jack Kornfield, tenta delinear em seu livro “Depois do êxtase, lave a roupa suja” (da editora Cultrix). Recomendo a leitura!

Para resumir, não há nada de extraordinário em encontrar a luz (não importando a forma como isto se dá). Ao contrário do que muitos de nós pensam, não existem seres iluminados, mas atividades iluminadoras. Isto significa que, à medida que nos desapegamos do conhecimento absolutista, pelo qual somos doutrinados, expandimos nossa consciência e nos afastamos da ignorância sobre quem somos, passando a perceber todas as nuances do nosso Ser.

Nós nos autorizamos a experimentar o desconhecido. Contudo, é preciso um esforço da nossa parte; uma determinação prática, um exercício diário de enfrentamento das sombras, pois sem elas não há liberdade. Kornfield defende: a iluminação “simplesmente existe em momentos de liberdade”. Por isto, libertar a alma é pré-requisito para o herói.

A experiência do êxtase pela vida é aberta a toda e qualquer pessoa que se dispõe a conhecer as fronteiras do que vivencia como sendo o seu Eu particular. Incluir em nossa jornada o que há de humano em nós é um ato de verdade consigo mesmo e de integralidade com a nossa natureza. É o que nos permite relaxar no fluxo da luz, pois paramos de temer a nós mesmos.

O despertar do coma ao qual somos submetidos pela nossa própria ignorância de Si é, muito provavelmente, nossa missão de vida neste mundo transitório. A ideia de que estamos separados de Deus nos leva apenas a criar os contornos desta prisão que nos impede de ver, com os olhos de Ver, que “Nós somos todos Um por causa do nosso elo com Deus”. (Eben Alexander III)

421993_10201019616313578_1118915440_nNossas experiências também são histórias com poder de cura: da auto-cura, da cura do sofrimento humano. Tudo depende do que fazemos depois do êxtase. Então, depois de encontrar a luz, vire à esquerda. Mas, se preferir a direita ou seguir a reta a sua frente, tanto faz. O mais importante é você escolher uma direção!

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Uma resposta para Depois de encontrar a luz, vire à esquerda

  1. Ana Claudia disse:

    O céu e o inferno são aqui mesmo. O ser humano é que, numa vã ilusão, acha que é preciso morrer fisicamente para descobrir o rumo a tomar.

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