Res Non Verba: pleiteando ações concretas e não promessas

65625_373230712782031_1962069054_n

A falta de paciência toma conta de mim. Tenho me esforçado para não ser dominada, sem muito sucesso em alguns casos. Por exemplo, com a total falta de “bom senso” (ou, como consta no dicionário da realidade, “falta de educação”) das pessoas que, apressadamente, descumprem regras coletivas importantes para uma boa convivência.

Parece até aquela pressa para “tirar o pai da forca”. Ninguém presta atenção no seu entorno. Mas, se o pai está na forca, já não é um bom sinal! Ninguém pergunta como é que ele foi parar lá!

Sinto que um descaso humano com o mundo paira no ar. Aliás, é o que parece mover a rotina das grandes massas. As pessoas têm usado a ideia de liberdade e de direitos para defender seus interesses próprios com tanta facilidade que chegam a transformar democracia em “democratura”.

150005_321315604651683_799152111_nÉ como se estivéssemos vivendo uma ditadura da liberdade. Tudo pode. Todos podem. Desde que aquele indivíduo não seja privado do seu prazer, do seu conforto, do seu espaço, é claro. Se isso acontece, então ele sobe na mesa e esperneia. Mas, pergunta se ele se engaja na transformação do mundo.

A ausência do senso de coletividade é marcante. Faz até pensar que se trata, na verdade, de uma quase que completa falta de percepção do mundo. Tudo o que as pessoas estão enxergando é a ponta do nariz. Um extremo umbigocentrismo.

Desculpem o desabafo, mas me sinto impelida a denunciar essa anomalia social. Tudo bem, vocês podem achar que eu estou exagerando. Pode até ser que esteja mesmo. Porém, quando vejo as pessoas se empurrando na rua, ao invés de pedir licença ou quando as pessoas falam todas ao mesmo tempo, atropelando um a fala do outro, ao invés de ouvir também, fico indignada.

Motoristas nervosos que não dão passagem para ambulância (o que dirá respeitar os pedestres atravessando a rua na faixa). Motoristas espaçosos que ocupam duas vagas para estacionar o carro. Gente parando em fila dupla, sem a menor preocupação. Gente furando a fila do metrô e empurrando os outros para dentro do vagão. Motorista de ônibus estressado que não espera nem a gente subir direito a escada. Vizinhos que entram com você no elevador e não dizem bom dia, mas passam o domingo com o som no ultimo volume. Passageiros tranquilos que utilizam duas poltronas na sala de espera do embarque (uma para sentar e outra para repousar a bagagem de mão).

Enfim, essas coisas nem servem de exemplo, pois são MUITO pequenas. Há uma infinidade de outras atrocidades sociais acontecendo por aí sem que sejam delatadas. Coisas de arrepiar a alma, no sentido negativo. E eu… bem, não estou querendo direcionar o holofote para fatos específicos. A questão não me parece o fato, mas a promessa de humanidade esquecida.

179994_374174659360411_148692489_nSó queria mesmo reforçar que o mundo não é uma extensão do nosso cordão umbilical. Nós é que somos uma extensão do mundo. Só queria compartilhar com vocês o desejo de que, cada um de nós, pudesse fazer alguma coisa para reverter essa balburdia. Só queria mesmo que pudéssemos exercer mais a nossa generosidade, a nossa solidariedade, a nossa espiritualidade. Que pudéssemos tornar a nossa humanidade mais social e sociável.

Eu acredito que podemos ganhar a noção de conjunto sem perder a riqueza dos detalhes. Que podemos agir coletivamente e nos sentir contemplados individualmente. Eu acredito que, com um simples gesto, ou com um gesto bem simples, podemos desencadear uma grande onda de positividade e de amor.

Basta começarmos a olhar o umbigo do mundo e caminhar na direção do Todo!!

Anúncios
Esse post foi publicado em Meditando e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Res Non Verba: pleiteando ações concretas e não promessas

  1. Gilka disse:

    Verdade, e ninguém se dá conta.

  2. Marta Rosani farina disse:

    Já nem me irrito mais, apenas me entristeço ao ver que somos vítimas da pseudo liberdade que sonhamos e lutamos para obter…

  3. Sami disse:

    Querida, me identifiquei tanto com sua reflexão, todos os dias penso e me aborreço com esse comportamento, me entristece perceber atitudes tão insensíveis das pessoas, e às vezes me pego reagindo da mesma forma que condeno. Ao meu redor tento fazer do mundo aquele lugar que eu quero para mim e para as pessoas que amo, é um trabalho de formiguinha e infelizmente, é horrível falar isso, mas não tenho boas perspectivas do nosso futuro.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s