“Eu era feliz, mas tinha dúvidas”

Algumas semanas atrás ouvi alguém contestar a célebre frase “eu era feliz e não sabia”. De fato, ela gera uma falsa ideia sobre a nossa ignorância e nos joga nos braços da culpa ou da lamentação. Faz com que a gente se sinta responsável por ter desviado nossos passos ou por ter errado na escolha do caminho. Como se houvesse uma só estrada e uma única forma de transitar por ela.

Sabemos que a felicidade não está no caminho. Ela simplesmente existe lá... dentro de nós.

Sabemos que a felicidade não está no caminho. Ela simplesmente existe lá… dentro de nós.

Se formos verdadeiros com a nossa natureza espiritual, concluiremos que temos, sim, uma sabedoria interna a respeito de tudo que vivemos. Nós sabemos, lá dentro do peito, o que se passa no nosso mundo e como nos sentimos na relação com a vida que escolhemos.

O que ocorre, talvez, é que nós nos perdemos um pouco com os dilemas mundanos. Nos deixamos embalar pela cacofonia de vozes sociais, que tentam impor um padrão de felicidade totalmente atrelado a valores vazios.

Passamos a acreditar na força dos ômegas, dos 2 litros e tantos de agua por dia, dos cremes anti, das fritadeiras sem óleo, dos doces sem açúcar, das fibras, dos energéticos, dos orgânicos, dos exercícios físicos, das controvérsias horas de sono, do peso ideal, da roupa ideal, do trabalho ideal, do amor ideal. Ufa!! Que estresse!! Não que tudo isso não seja importante. Mas, dá muito trabalho não saber que a gente é feliz.

De certa forma, isso nos deixa vulneráveis. Momento em que somos capturados por algum discurso, que promete o pote de ouro no fim do arco íris. E, inadvertidamente, sequer reconhecemos qual é a intencionalidade deste discurso e em que momento esta captura ocorre.

E aí, quando as nossas emoções estão confusas, cativadas pelo desejo de ser, criamos pseudoproblemas. Alguns que chegam a ser tão concretos que acabam cumprindo o papel de nos convencer que são Problemas e que, portanto, devemos nos sentir infelizes, deprimidos, angustiados.

São situações tão reais que passamos a desconfiar de nós mesmos, achando que os outros é que estão certos. E nós?? O que isso faz de nós??? Os inadaptados!! Somos os deslocados do tempo e do espaço. Figuramos à margem da curva da normalidade. E então, passamos a negar nossa inteireza. Quase como uma tentativa de sobreviver nesse mundo onde a felicidade é idealizada.

Vemos o movimento das pessoas ao redor e nos perguntamos: será que eu não deveria estar fazendo a mesma coisa? Vemos as pessoas realizando desejos de formas, muitas vezes, até corruptas e inescrupulosas e nos perguntamos: mas, como é que essa pessoa foi premiada com a felicidade e eu não? O que tem de errado comigo? O que é que eu não estou fazendo certo?

“Eu era feliz, mas tinha dúvidas”, resumiu o palestrante num determinado momento. É isso mesmo!

Não precisamos de script para transcender o desejo da felicidade!

Não precisamos de script para transcender o desejo da felicidade!

Éramos felizes, mas alguém (no sentido genérico) nos fez acreditar que não sabíamos. Éramos felizes, mas, mesmo diante da pequenez das barreiras que encontramos na estrada, não reconhecemos a nossa grandeza.

As dúvidas são, de uma maneira ou de outra, implantadas na fragilidade do nosso ser. Não porque não temos a força. Mas, porque talvez estejamos mergulhados demais na metade vazia do copo. Porque ansiamos pela completude, sem nos darmos conta da eternidade da nossa história.

A vida me ensinou que é só depois de “pendurar o ego atrás da porta” é que percebemos que nossas dúvidas são infundadas. É somente quando superamos o “desejo” que passamos a celebrar a vida, porque rompemos com o ciclo que limita nossa jornada com o momento presente.

Estou certa de que a felicidade é aqui. Dentro de nós. Nenhum ponto de interrogação deve ser capaz de colocar isso em questão! Sou feliz, não tenho dúvidas. Não duvide você também, nem de mim, nem de você!!

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5 respostas para “Eu era feliz, mas tinha dúvidas”

  1. Ana Claudia disse:

    Obrigada!

  2. Poliana Risso disse:

    Essa foi pra mim, né Andrea? rsrsrs Sou sua fã!…..mais uma vez…obrigada!

  3. Sonia disse:

    Pendurar o ego atras da porta……. Gostei, dificílimo para muitas pessoas!!!!

  4. Luciane Bradasch disse:

    “À margem da curva da normalidade”, isso é tudo!!! Que lambança fazemos com a nossa felicidade qdo. insistimos em não dar boas notas pras nossas conquistas e em ficar de boca aberta com as conquistas dos outros. Tem um termo jurídico que define muito bem isso: PUTZ GRILA!!!

  5. Guilherme A. do Valle disse:

    Belo texto, minha amiga!
    Continuo achando que as coisas deveriam ser menos complicadas! Mas dizem que Deus sabe o que fez,….faz …e ..fará…….!
    “Figuramos à margem da curva da normalidade. E então, passamos a negar nossa inteireza. Quase como uma tentativa de sobreviver nesse mundo onde a felicidade é idealizada”.
    Hoje paseei pelo facebook, vi tanta felicidade! declarações amorosas, euforia com a vitória do time de futebol do coração, belas imagens, pensamentos de todos os tipos, grandes soluções para a vida, piadas e me perguntei em qual planeta eu vivo? Não sei se fico com inveja ou se assumo a minha “anormalidade”, mas a vida que roda a minha volta não é tão colorida como a que eu vi hoje no Face! Será real o virtual, ou eu que ainda não vejo as virtudes da vida real?
    Obrigado pelo texto! sem duvida existe nele algumas pérolas para a reflexão sobre o Sentido do Existir.
    Me permita uma brincadeira: “Conto com a paciência de Deus, para chegar até a ele”

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