Minutos preciosos: frações essenciais de vida

Sabe aquele momento exato em que a folha se desprende do galho da árvore? Você já testemunhou o pequeno minuto que ela leva até atingir o chão?

E o relógio de ponteiros... já ficou olhando para ele durante aquela fração de segundo entre um ponto e outro, tão necessária para que ponteiro mude o tempo?

E o relógio de ponteiros… já ficou olhando para ele durante aquela fração de segundo entre um ponto e outro, tão necessária para que ponteiro mude o tempo?

Já ouviu falar sobre aqueles minutos que se reduzem entre uma contração e outra, indicando que o nascimento vai finalmente coroar? E daqueles segundos, que intercalam o primeiro sopro de ar nos pulmões do bebê e seu sonoro choro?

Você já experimentou aqueles minutos entre a hora marcada da chegada e o encontro com quem era esperado? E, os segundos que antecedem o abraço quando os olhos já alcançaram a tal pessoa? Ou, os segundos entre o “ring-ring” do telefone e o “alô” do outro lado da linha?

Já observou os segundos contidos nos pontos de reticências, entre uma palavra e o resto da frase? Ou, aquelas frações de tempo que a virgula indica depois do “mas”?

Você já constatou aquele segundinho que nossos olhos tomam para si antes de passar do final de uma página para o começo da outra, permitindo retomar a continuidade do pensamento depois que viramos a folha?

Já parou para pensar no que acontece a sua volta, durante as frações de segundo, entre o abrir e fechar das pálpebras, quando você pisca os olhos? E, naqueles minutos (embora nesse caso, para algumas pessoas, isso possa representar horas!!) entre o despertar do alarme e colocar os dois pés fora da cama?

Alguma vez você percebeu a vida nos minutos que separam o olhar apaixonado de um casal e o encontro dos seus lábios?

Alguma vez você percebeu a vida nos minutos que separam o olhar apaixonado de um casal e o encontro dos seus lábios?

Já sentiu o tempo passar entre a inspiração e a expiração? E a vida renovar, instantaneamente, quando o ar entra pelas narinas, percorre alguns espaços vazios do nosso corpo e restabelece o volume de oxigênio dentro de nós?

A vida é feita assim. É nesse espaço de tempo que ela acontece e influencia a caminhada, direcionando nossos passos. Momentos preciosos de transição, de passagem. Segundos que se configuram como ponte entre o antes e o agora, entre o imediato e a eternidade.

Segundos essenciais, que edificam o acontecer, que constroem ou destroem esperanças, expectativas, ilusões, sonhos, desejos. Que revelam conhecimento e até mesmo o desconhecido. Frações avassaladoras que mudam a direção dos ventos, que levam e trazem, para longe e para perto, a possibilidade de ser ou de não ser.

O que seria de nós se o tempo parasse no hiato de suas frações?

O que seria de nós se o tempo parasse no hiato de suas frações?

Momentos que ficam registrados num canto qualquer da nossa memória, mas que fogem (ou escapam) da nossa percepção, com frequência. Seja porque estamos agarrados ao ponto de partida ou, ansiosamente, apegados ao ponto de chegada. Talvez, consequência da inércia em nos lançarmos nesses pequenos minutos de transição, de total distração cósmica.

Ainda bem que ainda há tempo para honrar o tempo. Para saudar a passagem. Para acordar os olhos sutis da nossa alma e enxergar a vida acontecendo em seus micro segundos. Agora… e agora… e agora…

Estamos tão condicionados a ver a fotografia impressa que deixamos de valorizar o clicar da câmera. Sabe, né?! Aqueles segundinhos entre ajustar a lente e apertar o botão da máquina. Esses mesmos!! Ali, onde a vida floresce, com todo seu esplendor e amor. Agora… já!

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2 respostas para Minutos preciosos: frações essenciais de vida

  1. Luciane Bradasch disse:

    Q. delícia de constatação, Andréa! Ah, se a gente parasse exatamente entre um passo e o outro. Sim, é verdade, nesse hiato anos de nossas vidas chacoalhariam nossas memórias e a gente perceberia cisquinhos que deixamos passar, sem dar a atenção, o carinho, o ombro, o sorriso, o abraço, o beijo, o obrigada que mereciam. E veríamos quantas mãos temos que lavar! Beijos, queridona, fique com Deus. Sempre!

  2. Severino Vasconcelos disse:

    Dra. Andréa, boas…

    Trabalho tempo quando falo da Idade Média para meus alunos, para mim foram mais de 1000 anos perdidos, onde o homem era proibido de pensar, e o pensamento segue a velocidade da LUZ. Talvez tenha sido inspirado por este tempo que Carlos Drummond escreveu:

    Cidadezinha qualquer

    “Casas entre bananeiras
    mulheres entre laranjeiras
    pomar amor cantar.

    Um homem vai devagar.
    Um cachorro vai devagar.
    Um burro vai devagar.
    Devagar… as janelas olham.

    Eta vida besta, meu Deus.”

    Mas o tempo que você escreveu foi muito mais profundo, me fez lembrar Káfka: “Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.” Não obstante você se lembrar do amor que envolve a vida no manto do tempo, de todos os tempos… De Deus.

    Severino Vasconcelos

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