Dificuldades… alguém aí tem??

O padre que celebrava o casamento discursou sobre as dificuldades da vida, defendendo a ideia de que ninguém está imune a elas. Interagindo com os convidados, perguntou se algum dos presentes poderia dizer que não tem ou que nunca teve dificuldades.

Num primeiro momento, essa pergunta pareceu retórica. Ninguém ousou dizer que não; houve um consenso silencioso no ambiente. Seja porque as pessoas já tiveram ou porque ainda têm alguma dificuldade. Ou ainda, porque simplesmente ninguém se arriscou na interação.

Eu, lá no fundinho de mim mesma, fiquei muito tentada a levantar a mão e me candidatar à lista dos que afirmam que dificuldades não existem. Mas, também não me denunciei. Guardei a questão atrás da orelha, dormi sobre ela por vários dias, troquei ideias sobre o assunto com as pessoas mais próximas, meditei, meditei. No confronto final, não consegui sintetizar muito bem o que penso sobre dificuldades, sem entrar no paradoxo.

Por um lado, acho que elas são aquelas barreiras com as quais nos deparamos em nosso caminho. Alguns costumam dizer que é a forma escolhida por Deus para nos fazer evoluir. Outros preferem associa-las às situações que nós mesmos criamos e acreditam que, ao cairmos nas nossas armadilhas, nos tornamos mais fortes. Nessas duas concepções, dificuldade é praticamente um sinônimo de crescimento e em ambas os fatores são exógenos; o difícil vem do lado de fora da gente.

“A vida é uma dança louca e desenfreada, um mar turvo de ondas quebradas. Por mais que pensemos encontrar uma estrada, após uma curva, o que nos espera é um penhasco, fim da caminhada. Somente aqueles que enfrentam a escuridão e se jogam nesse abismo de vazio e nada, descobrem por fim que possuíam asas” Douglas A. Remonatto

“A vida é uma dança
louca e desenfreada,
um mar turvo
de ondas quebradas.
Por mais que pensemos
encontrar uma estrada,
após uma curva,
o que nos espera é um penhasco,
fim da caminhada.
Somente aqueles que enfrentam a escuridão
e se jogam nesse abismo de vazio e nada,
descobrem por fim que possuíam asas”
Douglas A. Remonatto

Numa segunda perspectiva, dificuldade é associada à fraqueza de caráter, confusão emocional, qualidade negativa. Algo que está dentro de nós e que não conseguimos superar facilmente. Algo que nos atormenta interiormente, mas afeta nossas ações.

E, numa terceira forma de entender, dificuldades simplesmente não existem! Se forem barreiras ou engodos, são apenas oportunidades. Se forem emoções conturbadas são apenas a nossa forma de reagir diante das coisas. Se forem “defeitos” de caráter ou de personalidade, são apenas características da nossa individualidade.

Se encararmos “dificuldade” como o difícil que vem de fora ou como o nosso jeito difícil de ser, colocamos o foco no tipo de julgamento que fazemos sobre os acontecimentos, sobre as pessoas e sobre nós. Quando adotamos a primeira ou a segunda perspectiva, amarramos em nossos pés uma pesada corrente e vamos nos arrastando na vida, achando que tudo faz parte de uma conspiração cármica. Colocamos uma venda nos olhos que nos impede de ver para além daquilo que estamos vivendo no presente momento.

Mas, a terceira alternativa é mais libertadora porque nos permite alçar voos livres por entre as especificidades do cotidiano. Nos permite aceitar que, quaisquer que sejam as nossas características, são elas que nos colocam nas situações em que nos encontramos. E isso não é nem bem, nem mal. Nem bom, nem ruim. Nem fácil, nem difícil.

É esta terceira visão que joga luz sobre a escuridão que criamos quando nos dizemos em dificuldade. Entendemos tudo como uma inspiração cósmica. Uma dança que leva as pessoas ao abismo do infinito , como bem coloca Remonatto em sua poesia.

E elas voam… voam para a infinita luz que atrai suas almas para o universo de possibilidades, outrora escondido no vácuo de sua existência. Isto posto, dificuldades não existem. São apenas estratégias de voo!

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Uma resposta para Dificuldades… alguém aí tem??

  1. Luciane Bradasch disse:

    É isso, amiga. Super concordo com a terceira visão (é sempre ela que vê a descoberto, afinal…): dificuldades são provas; vença-as e chegue na próxima fase; lamente-as e fique patinando no lodo do desespero. E que poesia linda, linda, linda! Nossa, fiquei emocionada. Fique com Deus, mas continue partilhando conosco.

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