Escolhas e renúncias… escolhas ou renúncias?

Fiquei muito feliz com o comentário que um amigo fez sobre o ultimo post (Emprego ou trabalho??), pois ele coloca um ótimo contraponto.

Carrego dentro de mim o dilema de poder fazer as coisas mais livremente, em função de como minha vida se configurou de uns anos para cá, me perguntando sempre se eu daria conta de fazer tudo isso se tivesse que manter minha atividade profissional da mesma forma que antes, trabalhando para além das 8 horas por dia, como a maioria das pessoas fazem.

pequeno_principeA busca pelas coisas básicas do nosso sustento pode fazer com que estejamos tão concentrados no cotidiano que raramente encontramos tempo para ousar outros passos ou para percorrer outros caminhos. Não temos energia e nem meios para ir atrás dos nossos ideais. Isso é fato!

Porém, no final da minha briga interna, fica claro que romantizamos muito nossos ideais. Talvez eles sejam mais atingíveis quando a gente já tem uma base que facilita nosso movimento. Mas, acabo sempre ponderando que podemos dar um jeito no cotidiano e lutar pelo que acreditamos ser o ideal ao mesmo tempo, quando criamos metas factíveis. Só temos que nos desapegar das nossas expectativas… “só isso”.

A visão de que nossa Ação deve gerar um grande impacto, em larga escala, na verdade, nos aprisiona num mundo de “frustrações”, como disse meu amigo. Pensar que devemos atuar no macro porque precisamos dar respostas para todo o sofrimento humano limita nosso movimento. Diante da nossa pequenez, nos sentimos impotentes, pois os desafios são infinitamente grandes e recorrentes.

Concordo que há pessoas que nadam contra a maré e acabam condenadas pelas próprias escolhas. Infelizmente, isso é muito comum. E posso afirmar que conheço  de perto…. bem debaixo do meu nariz! Já fui uma rebelde sem causa, por algum tempo. Depois, escolhi a causa. Hoje, talvez, não seja mais uma rebelde e não tenha nenhuma bandeira, por decidir fazer menos mudanças no mundo e gerar mais impacto dentro de mim mesma.

Como disse meu amigo, as fases da vida nos fazem entender que nem precisamos de grandes bandeiras. Os grandes ideais que criamos com a força da juventude, tornam-se mais palpáveis com a maturidade. E nem é uma questão de sabedoria. No meu caso, associo isso à aceitação e reconhecimento: daquilo que sou, daquilo que preciso, daquilo que posso, das oportunidades, da limitação, das potencialidades.

Pequenas ações, intervir no micro, agir com simplicidade, isso sim gera impacto e satisfação. Por que isso é mais viável e podemos fazer todos os dias, por que simplesmente nós mesmos podemos fazer

alma_moleTambém concordo com o meu amigo de que são necessárias muitas “encadernações” para ascendermos à luz. Penso mesmo que a gente nem precisa se preocupar com isso. Quanto mais chegamos perto dela, mais as nossas sombras são refletidas e é justamente com estas últimas que devemos nos ocupar.

Por isso, as escolhas são relativas. Uns dizem renúncia, outros escolhas… seria apenas uma questão de perspectiva ou de linguística? Não importa! O fundamental é quando podemos olhar para a nossa trajetória e constatar que a nossa ação não foi fruto do nosso ego. Por isso  eu havia sugerido colocar a coragem a serviço do movimento.

No caso, a coragem é desapegar-se do ego para poder esperar menos do que fazemos e confiar mais no que somos capazes de fazer.  É renunciar a pretensão de mudar o mundo e suas injustiças e escolher-se como alvo da própria missão. Isso basta para Deus, tenho certeza. Deveria bastar para nós também!

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2 respostas para Escolhas e renúncias… escolhas ou renúncias?

  1. Luciane Bradasch disse:

    A difícil reforma íntima… Se queremos mudar o mundo, comecemos por nós mesmos. Hmmm… Então, tá.

  2. Guilherme A. do Valle disse:

    Fiquei surpreso e contente das considerações provocadas pelo meu contraponto despretencioso, inspirado em seu texto e no meu momento de crise existencial.
    Hoje ouvi uma citação de Fernando Pessoa, que expressa de maneira poética e bela essa tal crise de fazer a “travessia”, como ele nomeia:

    “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”

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