Saudável solidão

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Recentemente, recebi uma mensagem de uma pessoa que amo muito, dizendo o quanto ela se sentia abandonada e incompreendida, até por ela mesma. Como não foi a primeira pessoa a fazer esse desabafo e, certamente, não será a última, senti-me solidária e com vontade de dizer, em voz alta (leia-se: para quem acessar esse blog!!): flor, esse sentimento é muito mais comum do que você possa imaginar!!

Sinto muito por aqueles que estão, nesse momento, imersos na maré baixa e, por mais que seja um clichê dizer que isso também passa, não tenho como me opor a essa máxima. Já estive tateando essas entranhas; sei bem o que isso significou PARA MIM.

Claro, cada pessoa experimenta a vida de um jeito particular. Mas, posso afirmar que há pelo menos duas outras coisas certas sobre essa fase: 1) quando a maré abaixa, tudo que fica no fundo do mar tende a aparecer mais e isso pode ser assustador! 2) também pode ser renovador!! Tudo depende do que jogamos para dentro do oceano ao longo de nossas existências.

O que as águas turvas da nossa rotina material encobrem se revelam no recuo das ondas. Apenas isso. Não há nada de novo no fundo do mar. Então, por que a gente se assusta ou se entristece com o que vê?

Penso que todos nós, TODOS mesmo, experimentamos esse sentimento de estranhamento, desconforto com as próprias sombras, abandono, solidão. Faz parte da nossa natureza e do processo de individuação. Não tem como crescermos sem olharmos o fundo do mar. Não existe melhor momento do que uma maré baixa para nos ajudar a enxergar mais.

É doloroso. Talvez seja exatamente por isso que nossa tendência é procurar grupos sociais onde nos sentimos incluídos, de alguma forma. A convivência em sociedade, provavelmente, também é resultado dessa solidão que nos permeia e da impotência diante da vida material. Amigos, família, cônjuge, talvez sejam apenas estratégias que criamos para responder a essa necessidade de estar fora de nós.

Sei lá…. mas li outro dia que se não nos sentimos bem sozinhos é porque não estamos sendo boa companhia para nós mesmos. Grande verdade!! E isso sugere, então, procurarmos o bem dentro de nós, para encontrarmos os aspectos positivos da nossa existência e, assim, experimentarmos um pouco mais de paz e suavidade na solidão.

bla, bla, bla…. são apenas palavras…. aparentemente… mas, o caminho é esse mesmo. Não devemos ficar assustados, nem tristes, diante do sentimento de abandono. Primeiro, porque ele não é real. Não estamos NUNCA sozinhos e NÃO somos abandonados em NENHUM  momento da vida. Segundo, porque o aparente abandono é apenas uma forma da vida nos dizer: e aí??? quem é você realmente???

Quando olhamos a nossa volta e nos vemos sozinhos, é porque tá na hora mesmo de nos encontrarmos a sós, com a gente mesmo, para poder se re-conhecer. Acho que é uma excelente oportunidade para escarafunchar os medos, desvelar as ilusões, rever as expectativas que criamos sobre o mundo e as pessoas e separarmos o joio do trigo.

Como disse Susana Hilmer “Às vezes você tem que morrer por dentro para levantar-se das suas próprias cinzas e acreditar em si mesmo e amar a si mesmo para se tornar uma nova pessoa.”

Por isso, não existe nada melhor que o abandono em si mesmo para nos aceitarmos!

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2 respostas para Saudável solidão

  1. Maria Luiza disse:

    Andrea, que texto verdadeiro. Adorei, bjs

  2. Luciane Bradasch disse:

    É isso, isso, super isso! Quantas vezes a gente se sente assim, meu Deus! É uma sensação, não um sentimento. E arrisco até dizer que predominantemente feminino. A gente é mto “tudo no lugar e bem ligadinho”, uma coisa vem por causa da outra, cadê a conexão que estava aqui???
    Andréamada, tô amando teu blog!!!

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