Contextualizando um pouco o Médecins Sans Frontières e o projeto

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Na empolgação da chegada, acabei não fazendo uma contextualização sobre o MSF e o projeto. Então, antes de voltar a divagar por aqui, a respeito das impressões e experiências do dia-a-dia, seria melhor dar uma noção geral da organização.

 

Muitos de vocês já devem ter ouvido falar do “Médicos Sem Fronteiras” ou até visto os anúncios mais recentes na TV (um com a Malu Mader e outro com o Tiago Lacerda) com imagens dos projetos. Talvez até já saibam como é a estrutura MSF  e também sei que alguns de vocês, inclusive, fazem doações financeiras mensalmente. Mas, um pouquinho de repeteco, se for o caso, não faz mal, né! Claro, para informações mais detalhadas, sugiro várias visitas aos diversos sites do MSF, começando pelo: www.msf.org.br

 

O MSF é uma organização humanitária internacional de grande porte, fundada em 1971. É uma organização associativa e, portanto, gerenciada por um conjunto de representantes em conformidade com as decisões tomadas em Assembleia, que é soberana. Existem 5 Centros Operacionais (CO), sediados na Bélgica (Bruxelas), França (Paris), Espanha (Barcelona), Suíça (Genebra) e Holanda (Amsterdã), que agrupam um total de 14 Sessões Parceiras (Austrália, Áustria, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Hong Kong, Itália, Japão, Luxemburgo, Noruega, Suécia, Grã-Bretanha e Estados Unidos) e 3 Sessões Delegadas (Brasil, África do Sul e Emirados Árabes). No caso do Brasil, estamos ligados ao Centro Operacional da Bélgica.

 

Cada Centro Operacional é responsável por um número de projetos que varia de acordo com os recursos que conseguem mobilizar e da demanda identificada. O MSF esteve/está presente em mais de 60 países, contando com a colaboração direta de pelo menos 22 mil profissionais médicos (com diversas especialidades), paramédicos (enfermeiros, parteiras, psicólogos, sanitaristas, outros) e não médicos (administradores, contadores, advogados, outros). Os profissionais são recrutados e selecionados conforme o seu perfil, com os princípios e realidade da ONG, podendo trabalhar em diferentes Centros Operacionais, sempre que pertinente.

 

Via de regra, os projetos envolvem tanto profissionais do MSF (considerados expatriados) quanto profissionais locais (considerados staff nacional). Todos os profissionais são remunerados, porém, todos os serviços são gratuitamente oferecidos à população em questão. Os eixos de atuação do MSF são: conflitos armados; epidemias, desnutrição, desastres naturais, exclusão de cuidados de saúde.

 

Um mesmo CO pode realizar projetos em diferentes países ou mais de um projeto no mesmo país. Assim, um país pode receber projetos de diferentes Centros Operacionais. Por exemplo, na República da Guiné, onde estou, existem projetos do CO da Bélgica e da Suíça. O projeto no qual estou trabalhando em Conakry, é do CO da Bélgica (por isso sempre dizemos MSF-B) e está dentro do eixo de exclusão de cuidados de saúde.

 

Temos uma estrutura organizacional bem interessante. Existe uma Coordenação Geral com uma equipe administrativa (chefe de missão, financeiro, logístico, medical, recursos humanos) e uma Coordenação de Projeto (responsável pelo terreno, administrativo-financeiro, logístico), que engloba a equipe técnica (médica e paramédica). Atualmente, o projeto que se chama “Projeto Matam” (atenção: leia-se “mátã”) conta com 11 expatriados (4 da França, 3 da RDC, 2 da Bélgica, 1 do Canadá e eu de brasileira) e muitos outros do staff nacional.

 

Esse projeto tem como objetivo implantar um serviço de qualidade para pessoas que vivem com o HIV/AIDS em Conakry. As atividades ocorrem, principalmente, no Centro Médico Comunitário de Matam, que é um bairro de Conakry e que tem estrutura de hospital. Porém, uma das metas do trabalho é descentralizar o serviço para 5 outros Centros de Saúde, em diferentes bairros.

 

As atividades variam desde atendimento médico-clínico (consultas, exames, hospitalização, acompanhamento e assistência ao parto), distribuição de medicamento (para a terapia antirretroviral e tratamento das co-infecções), suporte psicossocial (com assistência social, assistência psicológica, grupos de autoajuda e educacional), formação profissional e advocacy. É um projeto grande e complexo, no sentido de que há muita coisa a ser implementada, para atender às pessoas que vivem com o HIV/AIDS e, ao mesmo tempo, que precisam ser difundidas na cultura guineense. Mas esse será um novo capítulo. Eu volto!

 

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2 respostas para Contextualizando um pouco o Médecins Sans Frontières e o projeto

  1. Neia disse:

    Andrea:
    Fiquei muito feliz em reencontrá-la depois de tantos anos e constatar a pessoa linda que você se tornou e sua linda disposição em favor de irmãos tão necessitados. Que Deus a ilumine, abençoe e proteja nesta nova jornada.

  2. Severino de Vasconcerlos Andrade disse:

    Dra. Andréa, boas…
    África é um mar aberto para muitos estudos, pesquisas, ação social… Então o MSF tem muito campo de atuação ai, por exemplo: a grande massa de pessoas minfectadas pelo HIV, números proximos dosm 50% (cinquentta por cento), na África subsaariana, mais de 70% (setenta por cento) dos casos de malária do mundo, são números que impressionam, são dados que a um historiador não podem ser largados nos escaninhos! Bom, mas o que eu tenho pra te dizer neste momento? Obrigado pela chace de está ai ao seu ladinho, um amigo na praça! Você esta trazendo dados, como diz os baianos: “porretas”! E vc é uma pessoa comprometida com a verdade científica, dai o meu sentimento de… Eu queria arrumar um adjetivo pra isso, e o melhor´que tenho a dizer é: GRATIDÃO!
    Sucesso amiga!
    Severino José

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