Peru: as ilhas flutuantes do Titicaca

Estou quase chegando do outro lado do continente. Não pretendo tornar esse blog um guia turístico (até porque nem sei contar todos os detalhes que os guias repassaram), mas simplesmente não dá para deixar de comentar sobre a visita a Puno. A cidade em si não tem muito a oferecer de diferente, mas o seu entorno é uma preciosidade latina.

Entre idas e vindas, os Uros acabaram se estabelecendo no Lago Titicaca, dando origem ao que eles chamam de Ilhas Flutuantes. De fato, são ilhas. Verdadeiro empreendimento construído a partir de uma espécie de capim que cresce, abundantemente, na região (se alguém souber o nome ou tiver um tempinho para pesquisar no Google, não deixe de nos informar, por favor!). Com sabedoria, esse povo soube utilizar os recursos naturais para colocar sobre o lago dezenas de ilhas, que comportam centenas de pessoas.

As ilhas são feitas por blocos, isto é, respeitando-se a técnica correta. Esse “capim” é colhido e condensado em grandes blocos. Os blocos são colocados na água e amarrados uns aos outros, em quantidade que varia conforme o tamanho que se pretende para a ilha. Essa é uma decisão também influenciada pelo número de casas e de famílias que nela irão habitar. Depois de bem amarrados, eles são cobertos com incontáveis camadas do “capim”, formando uma boa base, sobre a qual ficarão as casas e na qual aportarão suas embarcações (feitas do mesmo material).

São casas de um único cômodo, integralmente feitas do mesmo material. Para cada uma delas, existe uma estrutura de banheiro e cozinha em anexo. A porta de entrada é sempre voltada para o centro da ilha, reforçando a coletividade e socialização. A não ser quando alguém briga com os vizinhos. Nesse caso, eles levantam (literalmente!) a casa e mudando sua posição. Da mesma forma, a ilha pode ser alterada.

Ou seja, se os moradores não quiserem mais morar naquele local, onde a ilha está “atracada”, eles içam a âncora e se mudam para outro lugar. Ainda, se mais alguma família precisa ser integrada ao “clã”, eles aumentam o tamanho da ilha, acrescentando alguns blocos. Porém, quando alguém resolve se separar do “clã”, eles simplesmente cortam (com serrote!) fora a parte da ilha onde está localizada a casa da pessoa e ela que vá se amarrar em outra ilha por aí! Há casos de divórcio que resultam nesse tipo de solução. Imaginem só o nível de mobilidade que se pode obter; é tão sofisticado quanto as tartarugas e os caramujos que carregam suas casas nas costas!

Por terem se tornado bastante conhecidas e visitadas, as ilhas passaram, oficialmente, a promover o turismo. Com isso, algumas se especializaram em oferecer programas como passeio nas grandes embarcações, hospedagem por uma noite em uma das instalações, refeição típica. Com o direito até de se vestir com as roupas típicas para tirar fotografia. Todas, naturalmente, têm um pequeno comércio do seu artesanato centralizado no meio da ilha. Em geral, são objetos feitos com o mesmo material da ilha, tais como barquinhos, móbile, casinhas, etc.; trilhos de mesa, painéis para parede, porta trecos, etc., todos especialmente bordados pelas mulheres.

Além do artesanato, eles concentram suas atividades produtivas na pesca e na criação de porquinho da índia para o consumo da gastronomia peruana (aliás, esse é um prato extremamente popular no país, ao lado do ceviche, claro). Como assim?? Assim mesmo. Eles constroem uma pequena ilha dentro da própria ilha, para que os bichinhos não saiam boiando lago afora.

Com a “modernidade” e recurso financeiro, muitas famílias adquiriram painel solar, permitindo a instalação de aparelhos eletrônicos em suas casas. Nem preciso dizer que a televisão está no topo da preferência. Pronto, agora já disse! A mesma modernidade tem atraído os jovens Uros para a cidade, em busca de uma “vida melhor”. Assim, algumas casas estão abandonadas e já existem ilhas que só se mantém ativas por causa do turismo. Muitas famílias passaram a morar em terra firme.

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2 respostas para Peru: as ilhas flutuantes do Titicaca

  1. suellen disse:

    O capim é totora ou taboa.

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