Peru: tecendo solidariedade e cooperativismo em Chinchero

Simplesmente maravilhoso o trabalho da Associação das Tecelãs de Chinchero! Rico em beleza, rico em significado, rico em comunhão de objetivos. É uma organização não governamental fundada há quase 33 anos, que se dispôs, inicialmente, reunir tecelãs para a produção de peças, independente do tipo de fio utilizado (faziam com fio sintético no começo).

Aos poucos, foram transformando o grupo numa cooperativa e, com recursos de diferentes fontes, conseguiram organizar um trabalho voltado para o resgate e preservação da cultura têxtil. Além de pesquisar a origem da tecelagem, no Peru, seus desenhos, modo de preparo dos fios, etc., a Associação mantém um grupo de tecelãs que produzem peças para comercialização, complementando sua renda familiar. As oficinas são promovidas entre os jovens também, buscando perpetuar o conhecimento e a prática.

7tecendo_fioCada detalhe de uma peça é um processo rico de decisões e preparo. Por exemplo, a época correta para aparar a lã dos animais; qual deles oferece o melhor tipo de lã para o tecido pretendido; que planta e em que época ela será colhida para preparar a tintura da lã; que combinação de cores é possível fazer a partir da raiz de diferentes plantas, ou de sementes; qual o número de fios necessários para fazer o desenho desejado e em que cores; que desenhos serão feitos e qual simbolismo podem representar, inclusive, uma determinada classe social e região.

6foto_pablo_ribeiro_tecelas2Enfim, o processo é longo e minucioso. Depois de colhidas as plantas para o tingimento, apenas a primeira parte do preparo do tecido (de uns 2 metros) pode durar cerca de 10 horas de trabalho. Depois, para tecer a peça final, tudo depende da habilidade da tecelã e do desenho pretendido. Quando o desenho é mais simples, um trilho de mesa com 2 metros pode levar em torno de 130 horas de trabalho, sendo vendido por 170 dólares.

Depois de vários cálculos, reforcei o princípio de que não devemos jamais barganhar nos mercados de artesanato. Precisamos, sim, é valorizar cada artigo e tentar sempre nos lembrarmos de sua importância cultural e social. É difícil dimensionar tudo o que existe por trás de um trilho de mesa, um gorro, um xale, um blusão, um cinto. São séculos de história e muitas questões sociais e culturais a serem consideradas.

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Uma resposta para Peru: tecendo solidariedade e cooperativismo em Chinchero

  1. Severino de Vasconcerlos Andrade disse:

    Olá amiga… Obrigado pela riqueza de informação. Certa vez eu fui na “Feira de Caruaru”, conversando com um artesão dos “Bonecos de Vitalino,” ele me falou sobre a questão cultural, tempo de execusão de uma peça, etc. Bate perfeitamente com suas informações, isso sem falar na riqueza de detalhes que você escreveu, tipo: tinta, raiz, manutenção da tradição etc., Parabéns pelo roteiro, sua vida está ficando mais rica… Você tamabém está deixando mais charmoso o meu projeto: Conhecer Viajando.
    Abraços
    SJ

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