Caminho Inca: divagando sobre o seu significado

É difícil começar a discorrer sobre a experiência do caminho Inca. Um turbilhão de ideias, impressões, sensações, dores e adrenalina ainda fazem uma revolução dentro do mim. O mais fácil de dizer, no momento, é que eu agradeço cada músculo do meu corpo pelos 47 kms percorridos em 3 dias. Sem sombra de dúvida, é uma conquista de corpo e de alma. Foi necessária uma sintonia afinada entre os dois para que eu conseguisse chegar até o final da trilha. Mas, cheguei!! Sempre por último nos pontos de parada, mas chegava!!

Quando comecei a me preparar para esse desafio, confesso que superestimei a condição física e, apesar das inúmeras dicas sobre as adversidades da trilha, subestimei a geografia das montanhas. Como resultado disso, somei momentos de profundo desespero pelo cansaço e de satisfação plena por não desistir. De qualquer maneira, no meio do caminho, desistir significaria fazer a metade da trilha de volta. Então, até por uma questão de lógica, o melhor era continuar para frente.

sitio_arqueologico_caminho_incaA força do grupo foi essencial nesse caso. A caminhada é única, pessoal e intransferível. Mas, o caminho a gente pode compartilhar, o que torna a experiência ainda mais rica.
Quando alguém estava cansado, sempre tinha outra pessoa com ânimo suficiente para motivar o grupo. Quando alguém superava um limite, sempre tinha outra pessoa para valorizar a conquista. E, assim, nos tornamos realmente uma “família” por 3 dias. Interagindo, trocando ideias e informações pessoais; apoiando um ao outro e vibrando para que cada membro, respeitando o seu ritmo, alcançasse a mesma meta.

Em “família”, a lógica de seguir adiante ganhou ainda mais força. Às vezes, olhava para trás e ficava repetindo, irradiante, que já havia conquistado muito (15, 20, 30 kms suados, com os músculos das pernas tremendo, o coração quase saltando pela boca). Outras vezes, olhava para frente e imaginava curiosa, o quanto ainda teria que passar: mais 5, 10, 17 kms de um caminho totalmente desconhecido e inusitado para mim.

Na maior parte do tempo, entretanto, mantinha-me concentrada em cada passo. Até porque, com tantas pedras, descidas e subidas íngremes para percorrer, o mais prudente era colocar toda a atenção nos movimentos, cuidando para não comprometer todo o resto (do caminho, da viagem, da “família”).

Todas essas perspectivas me fizeram pensar que a vida é feita da possibilidade de enxergar as coisas nos seus diferentes tempos. Podemos olhar para o passado, apreciar nossas conquistas, aprender com as dificuldades e reconhecer nosso potencial de superar as adversidades. Também podemos olhar para frente e enxergar as oportunidades de crescimento, alargando nossos horizontes com a mente curiosa e questionadora.

Só não podemos mesmo é, por causa desses olhares, perder o foco no presente. É necessário fazer o melhor que pudermos naquele momento, naquela situação específica. 
Há tempos em que mergulhamos demais numa dessas perspectivas (passado-presente-futuro) e perdemos o panorama geral da vida. Durante a caminhada (pela trilha, tanto quanto pela vida) isso pode enfraquecer o sentido da nossa jornada. Portanto, o aqui-e-agora deve ser conjugado em qualquer tempo. Quando a alma está presente, com toda a força da sua natureza Divina, nos movemos por entre as montanhas de obstáculos dos diferentes caminhos que percorremos (na trilha e na vida).

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2 respostas para Caminho Inca: divagando sobre o seu significado

  1. Renato Akaishi disse:

    Andrea,

    muito bom seu texto! Saudades de você! O que você tem feito de bom além de ter essas aventuras? (que por sinal parecem beeem boas!)

    Beijos

  2. sami disse:

    não imaginava que fazer esse caminho seria uma experiência tão emocionante, fiquei com vontade de fazer o mesmo.

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