Caminho Inca: introdução à logística da trilha

Para entender melhor o que é a
caminhada pela trilha dos Incas sugiro uma pesquisa mais detalhada sobre a
geografia local e os diferentes programas operados pelos guias turísticos no
Peru. Mas, em resumo, para percorrer o caminho é necessário se inscrever num grupo e ter um guia credenciado como responsável. A entrada é controlada e limitada a até 500 pessoas por dia. Cada grupo, de no mínimo 6 e no máximo 12 turistas, tem o seu plano de caminhada a seguir. Isso pode ser alterado
de alguma forma, pois depende do ritmo do grupo. Porém as paradas, para almoço e pernoite, são previamente agendadas nos acampamentos.

a_grande_familiaAs operadoras têm seu staff próprio, que varia em
função do tamanho do grupo e, provavelmente, a qualidade do serviço também depende do valor contratado pelo programa. Como padrão, todos os grupos são assistidos por seus respectivos carregadores (“porters”), que levam as bagagens (embora você também possa optar por carregar sua própria mochila), equipamentos e são responsáveis pela instalação de tudo a cada parada. Entre eles, alguns acumulam também outras funções, como a de cozinheiro, copeiro, assistente de cozinha. De acordo com a cultura local, essa trupe toda ganha o status de “família” pelo período que durar a caminhada.

foto_pablo_ribeiro_parte_caminho_incaA trilha tem 47 km, a serem percorridos em um número específico de horas por dia, conforme planejamento, que leva em consideração a disponibilidade e disposição do grupo. Dessa forma, o número total
de dias pode diversificar entre 2 até 5 dias. Outras variáveis podem influenciar a duração do programa: o ponto de partida (existem versões diferentes para o início da trilha); o caminho em si (existem alguns atalhos que podem reduzir ou aumentar o trajeto, em termos de horas de caminhada); o clima (se está muito sol e quente, ou se está chovendo).

Os acampamentos têm uma boa estrutura de banheiro com chuveiro (água fria!) e em algumas paradas podemos encontrar vendedores ambulantes, dispondo de uma seleção de refrigerantes, isotônicos, água mineral, entre outros itens. Mas, atenção: quanto mais distante estiver do ponto de partida, mais caro o produto!

foto_pablo_ribeiro_tenda_refeitorio_caminho_incaNa prática, os porters saem depois dos turistas, pois 
eles têm que, literalmente, levantar o acampamento. Mas sempre chegam ao ponto de parada seguinte antes do grupo, pela agilidade deles e também porque os turistas fazem algumas paradas nos sítios arqueológicos, que ficam ao longo do caminho. Assim, quando o grupo alcança o acampamento, as barracas já estão
montadas e as mochilas separadas.

As tendas da cozinha e do refeitório também ficam sempre prontas e, geralmente, a comida está encaminhada. Tudo é servido com precisão; a gastronomia é internacional (com direito a entrada, prato principal, sobremesa e chá e café, em todas as refeições. Eles fazem, ainda, pratos personalizados para os que têm alguma restrição alimentar, como os
vegetarianos, os intolerantes à lactose, ao glúten, etc. e o cuidado com a higiene é levado a sério, pois procuraram reduzir incrivelmente as chances de alguém passar mal no meio do caminho e causar um “transtorno de logística”.

foto_pablo_ribeiro_acampamento1_caminho_incaO relevo da trilha apresenta altos e baixos, com poucos trechos planos. Há também uma variação de altitude, tendo um impacto direto no rendimento do grupo (o ponto mais alto atinge 4200 metros!). É uma verdadeira sinfonia de sobe e desce montanha, que precisa ser orquestrada tomando
muito cuidado com a borda de abismos e despenhadeiros, pois várias partes são pedras e/ou chão batido, portanto
escorregadio. Há, também os trechos que mais parecem uma escadaria e quase exigem que a gente engatinhe para subir e/ou descer.

Pelo diagnóstico dos guias, o primeiro dia seria puxado, mas nada comparado ao segundo dia, que mais exigiria esforço físico. No terceiro dia faríamos mais paradas por causa da visitação
nos sítios arqueológicos e no quarto teríamos que levantar muito cedo para atingirmos o Portal do Sol em MachuPicchu nas primeiras horas da manhã. Bem, quando partimos, tudo o que eu tinha como certo é que o ponto de chegada seria MachuPicchu!! A não ser, é claro, se houvesse alguma desistência no decorrer do caminho.

Concluindo, nossa “família” foi formada por 13 porters, 2 guias e 9
turistas (5 holandeses, 1 alemã, 1 irlandês e 2 brasileiros). Nosso ponto de partida foi Piscacucho, nas proximidades de Ollantaytambo, no Vale Sagrado.  Inicialmente, nosso planejamento era fazer a
trilha em 4 dias (3 dias e meio de caminhada com 3 pernoites acampados). Porém, na noite do segundo dia, embora tenha começado a chover, resolvemos acelerar o passo no terceiro para tentar chegar a MachuPicchu com o por do sol e ver a cidade vazia.  Ao levantarmos pela manhã, ainda havia uma boa garoa, mas quando atingimos o acampamento seguinte, na hora do almoço, o sol começava a dar o ar da graça e efetivamos nosso novo plano.

A recompensa foi extraordinária! Além do por sol, tivemos o privilégio de ver MachuPicchu sem os quase 10 mil turistas que visitam a cidade todos os dias. Não pudemos entrar, pois já estava
fechada para visitação e estávamos agendados para o dia seguinte. Mas, ninguém se importou, pois tínhamos nossa reserva garantida. Naquela terceira noite, então, pernoitamos num hostal em
Águas Calientes, felizes da vida pela missão cumprida.

Bem, nos próximos posts transcreverei algumas reflexões
registradas no decorrer da viagem. Claro, muitas lições e elucubrações, como sempre!!

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