Ausência compulsória

Há alguns dias meu laptop foi roubado. Simplesmente, escalaram o muro da casa, atravessaram o teto da garagem, entraram pela porta naturalmente e, lá estava o alvo sobre a mesa! É como se o equipamento hibernasse serenamente, à espera do seu raptor.

Bem, lá se foram as memórias mais recentes, já que as antigas estavam guardadas num HD externo. Mas, principalmente, lá se foi a minha conexão mais próxima e mais rápida com o mundo distante.

Uma ausência compulsória se fez presente.ausencia_compulsoria2

Entre idas e vindas em outros canais para acessar a internet e mudar senhas e checar possíveis danos, me dei conta que é hora de digerir o impacto simbólico dessa perda. Muitas coisas se passaram por causa dessa nobre visita. Muitas outras histórias aconteceram.

Foram-se os anéis e ficaram os dedos para traduzir as reflexões provocadas pelo desatino. Casos de outras perdas; histórias de outra natureza. É no estalar da consciência que o valor da vida reduz integralmente o prejuízo material e reforça a certeza de que nada é por acaso.

Esse roubo foi apenas um obstáculo que se opôs ao fluxo. Pode ser facilmente assimilado para além da sua realidade concreta, pois me colocou a observar como as pessoas ao meu redor reagem tão fragilmente aos eventos de dificuldade. Fez entender como é comum transformarmos uma contravenção num espetáculo de horror, ao invés de aproveitarmos a ocasião como mais uma lição de desapego.

Sem dúvida, foi uma semana de perdas materiais, mas o que eu mais aprendi é o quanto importa não nos distanciarmos do nosso ponto de equilíbrio e não perdermos de vista o essencial. Senti na pele que, enquanto o mundo ao seu redor se abala pelas infrações que sofre, a gente precisa manter o foco e se proteger para não ter sua forma de reagir violada pela supervalorização do negativo.

Aprendi que, ter alguém invadindo sua propriedade provisória (afinal, nada nos pertence mesmo; tudo é emprestado pelo tempo que usamos e permanecemos nesse mundo terreno!!), pode não ser tão desprezível quanto ter alguém invadindo a natureza da sua alma. A verdade é que, quando as pessoas ao seu redor ignoram os limites da sua ação e tomam decisões no seu lugar, pode ser mais dolorido e significativo do que ser materialmente roubado.

Entendi, ainda, que a comunicação com o mundo pode ser interrompida por forças externas, mas o respeito por aquilo que você é e como escolhe transitar por aí jamais poderia ser transgredido. Compreendi que podem tirar tudo o que passageiramente me for atribuído e, mesmo assim, continuarei sorrindo cor de rosa. Porém, não tentem tomar ou interferi no meu livre arbítrio, pois minha alma fica muda e se recolhe como num mecanismo para se defender.

E essa também pode ser considerada uma ausência compulsória!!

Resumo da ópera: levem o meu corpo se quiserem, mas jamais tentem aniquilar o meu Ser novamente!

ps: ainda bem que existem cyber cafes!!

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