O trem da vida

Impossível deixar de agradecer a Deus pela oportunidade de transitar entre o tempo e o espaço para aprimorarmos nossa essência, antes de nos juntarmos novamente ao cosmo.

Como muitos já associaram, a vida da gente é como um passageiro que embarca num trem e ao longo do caminho vai parando, saltando do vagão e conhecendo as várias estações. Em cada uma delas, uma história. O trem está seguro. Com toda a mobilidade e velocidade que lhe são próprias, permanece estável no trilho, o prumo da alma. Isto permite nos aventurarmos por aí, sem nos perdermos de nós mesmos.

Das experiências nas estações, vamos formando um “quebra-cabeça” e recompondo laços muitas vezes desconhecidos, outros apenas esquecidos. Sobre os caminhos… bem, a respeito deles é melhor permanecer namorando Deus. Ele sabe bem o momento certo de parar o trem para descermos nas estações que farão da nossa viagem uma grande lição (ou a lição necessária).

A vida está em constante movimentação e nós também. Mesmo que estabilizados na mesma praça, na mesma rua, no mesmo jardim. Nunca somos os mesmos quando a banda passa; nunca acordamos os mesmos todos os dias.

Por isso, mudar de estação, não pode representar nenhum problema. Desafios, sim, com certeza. Visto que, de fato, a gente leva um tempo para se adaptar cada vez que uma estação surge no caminho. Por outro lado, podemos sempre lançar mão da coragem para saltar livremente e viver todas as histórias possíveis e disponíveis.

Quando regressamos ao trem, é preciso muita respiração profunda para retomar o propósito e descobrir novas fórmulas de convivência com os demais passageiros, conhecidos ou não. Mas, como disse uma grande amiga, já não somos o que fomos e, portanto, podemos sentir, entender e fazer diferente. O negócio é deixar rolar para não descarrilhar. O grande Heráclito já defendia que é impossível tomar banho duas vezes no mesmo rio.

A vida é assim. Não existem duas estações iguais e a cada regresso ao trem, o vagão já não é o mesmo!

As relações entre os passageiros também não se configuram mais da mesma maneira. Apesar de guardarmos alguns padrões (afinal não conseguimos mudar tudo entre um salto e outro), há uma dinâmica inerente ao movimento de entrar e sair. Em alguns casos, descobrimos novas afinidades e em outros desafinamos o compasso. Mas, mesmo que as incompatibilidades se estabeleçam como metralhadoras, cuspindo para cima da gente alguma sanidade, podemos proteger o último sonho de Alice por algum tempo… pelo menos até a próxima estação!

Talvez isto possa ser encarado como o último suspiro da vida naquele vagão!!

Depois dessa empreitada, o que resta é apenas o universo!! Cheio de mais coisas a serem descobertas. Estar totalmente leves e soltos, sem pendências, sem documento, sem lenços… já teremos resolvido muita coisa, queimado muito arquivo e secado muitas lágrimas de crocodilo!! Essas coisas já serão inúteis!

Mesmo re-conhecendo o que a gente já sabia. E, sabendo de novo, a gente pode caminhar com mais tranquilidade e flexibilidade. Sem pressa, pois esses confrontos iniciais, na volta ao vagão, parecem fazer parte do script da libertação… talvez experimentá-los por mais tempo é que pode nos dar a condição de re-conhecer intimamente a diferença entre o que fomos e o que vimos a ser.

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