Visitantes noturnos

Com a claridade do dia, o sol foi lentamente aquecendo o corpo. Não o suficiente para que as juntas dos dedos se dobrassem para manter a esponja na mão enquanto lavava a louça no riacho. Lá se foi na correnteza. Mas, enfim, a vida também não é assim?! Sem exageros com a metáfora, mas a vida é assim sim! Tudo passa!

O dia foi longo. Muita oração e reflexão. Caminhei um pouco, contemplei a natureza, li bastante, mergulhei no vazio.

A noite voltou e foi mais complicado dormir. Acordei novamente com a Três Marias ainda no alto do céu. Talvez fosse o começo da noite apenas. Foram horas de vira-para-lá e vira-para-cá, até que elas desapareceram atrás da montanha maior, repetindo o mesmo ato de despedida da noite anterior.

Interessante como a noite pode ser instigante. A vibração do escuro deixa certa inquietação. Por causa da altitude, o ar fica mais pesado e falta oxigênio. O coração bate em outro ritmo e a soma disto tudo dá uma sensação de quase-morte ou perto da morte física.

Aos poucos vai clareando e a penumbra do dia começa a provocar outro sentido, trazendo ainda alguns visitantes: os coiotes. Curiosos, eles andaram por entre as coisas do acampamento, provavelmente procurando por alimento. Com a claridade ganhando mais força, eles foram embora, deixando a promessa do retorno.

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