Tão longe para chegar tão perto

Com a paleta do limpador do para-brisa solta e a chuva caindo, me senti aliviada de não precisar encarar a serpentina da cordilheira. Mas, como nada é para sempre, a chuva vai ficando cada vez mais fina e sou brindada com a oportunidade de superar o temor pelo precipício. Que bom!! Nenhum precipício é tão assustador que não possamos aproveitar o frio na barriga para praticar o desapego!!

Um novo livro que fala sobre a passagem, a transição entre as diferentes dimensões e moradas espirituais ocupam meus olhos detidamente. Claro, meus pensamentos se colam no movimento do globo ocular, compondo o cenário de imersão para dentro de mim. A cada página, meu mergulho no mar sereno das minhas elucubrações fica ainda mais prazeroso.

Toda esta leitura tem ajudado a intensificar as experiências nos/dos lugares por onde estou passando e ficando. Todas estas experiências têm ajudado a me lembrar de quem sou e o que assumi como compromisso de vida terrena. O afastamento do cotidiano, o confronto com os meus próprios medos, a convivência com aquilo que é diferente de mim, apenas fortalece o sentimento de renovação, de descoberta. É como se eu estivesse dês-velando mais uma parte da minha alma e transmutando a energia paralisante do medo numa segunda asa. Agora posso aprender a voar de verdade!Como é bom estar em retiro. Retirar-se para dentro de si, quando passamos tanto tempo colados na nuca das pessoas que estão ao nosso redor, é um exercício imprescindível para a existência do Ser. Ainda assim, me pergunto se precisava vir tão longe para chegar tão perto de mim. “Sim, com certeza!!” Só pode ser esta a resposta!

Se o planeta Terra é um desses lugares onde a nossa alma pode se refugiar para aprender e crescer, uma vez estando enraizados na “ordinaridade” da vida terrena, precisamos criar novos refúgios para a lama se afastar um pouco e matar a saudade do Divino dentro de si.Neste segundo livro, uma das personagens diz que “só podemos ir para o lugar que estamos prontos para ir”. Ou seja, só conseguimos avançar, frequentar, experimentar, o que as nossas vibrações nos permitem.

Enfim, vivemos a vida que deveríamos viver, mas precisamos nos recordar do seu sentido de tempos em tempos, para aproveitar melhor esta passagem. Esta recordação é libertadora!

Ontem fiquei observando uma mãe que abraçava carinhosamente o seu filho pequeno (de uns 3 anos). Os dois são portadores de deficiência visual. Ela tem um outro filho menor (uns 2 anos) e está grávida do terceiro. Só o que me vinha à cabeça é: que coragem e firmeza essa alma tem para escolher enfrentar esse karma!

De fato, a nossa vida toca a vida de todas as outras pessoas. Cada um escolhe seu destino, seu caminho, sua missão. Mas, tudo isto faz parte de uma rede muito maior de relações, eventos, aprendizados. Com certeza, a imagem dessa mãe com o seu filho, tocou meu coração e me fez ver que não posso ficar como um passarinho dentro da gaiola cuja porta está totalmente aberta. É preciso experimentar o mundo, pois foi para isso que pedi para re-nascer!

A grande questão é colocar-se na questão, sem perder o impulso e a energia para agir. O grande desafio é colocar para si as questões “certas”.

Anúncios
Esse post foi publicado em Meditando e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s