Abalo sísmico na alma

Havia permanecido até às 3 horas da manhã escrevendo e refletindo. Voltei a deitar adormecendo logo em seguida. Não me lembro quanto tempo isto durou, mas sem aviso prévio, a cama começou a balançar. Abri os olhos, achando tudo muito primitivo, pois parecia estar dentro de uma caverna. Custei a reconhecer o ambiente e fui logo pensando que era a minha imaginação me pregando uma peça. Mas a cama ainda balançava, como se estivesse deitada na rede a bordo de um navio, em pleno Rio Madeira.

Resolvi então, ignorar. Virei do outro lado e voltei a dormir. Era muito tarde para buscar qualquer interpretação para o que estava acontecendo. Certamente, o tremor tinha uma razão de ser e não iria mudar se voltasse a ocupar a mente na busca dela pela manhã apenas.

Em pé, finalmente a revelação catastrófica: o tremor tinha sido real; um terremoto numa escala de 8.3 pontos, com o seu epicentro no Chile. Mas, só vim a descobrir que o balanço da cama era reflexo disto depois de encontrar algumas pessoas e ver o noticiário na rádio.

Fiquei pensando na “coincidência” entre esta ocorrência e o momento que culminou minha decisão de seguir viagem “sola”. Sem exageros, pois não sou dada a este tipo de mistificação, mas é bastante simbólico. Uma chacoalhada interna e externa, com estragos e rupturas nos dois casos. O impacto é grande e não há como negar. Aprendizado, muitos aprendizado, é a compreensão possível para isto tudo.

Operacionalizar a sequência da viagem foi como empurrar a primeira peça de uma fileira enorme de dominós. Assim como as demais unidades vão caindo, os eventos foram se encadeando um a um e tudo foi se encaixando, como se estivessem a postos, prontos a esperar pelo meu primeiro passo. Desde a definição do novo itinerário, os encontros com pessoas estranhas (e muito familiares!), até a chegada no destino pretendido. A espera pelo transporte, a adrenalina do desconhecido, o suspiro pelo inesperado, o alívio pelo que foi alcançado.

Sem dinheiro, sem comida, sem chão, mas em cima das próprias pernas. Sem temor, nem mais tremor. Uma frase sonorizada por um rapaz na rodoviária de Fiambala registra a certeza da escolha: “hay que seguir com la vida”. Não sabia ele a força deste conjunto de palavras… Lanço-me no fluxo cósmico!

Lembrei-me da passagem da cobra coral (?) que se transmutou em passarinho e penso: talvez este retiro tenha possibilitado destilar o meu veneno e agora já posso voltar para casa mais leve e solta. Não há peso dentro do meu coração. Nenhuma aversão a nada, nem mesmo algum desejo. Tão somente o gosto da liberação. Por mais estranho que possa parecer, talvez esta mudança de planos seja a minha “cerimônia do peiote” e o fato de ter me desfeito de vários itens materiais pode representar a “cerimônia da doação”.

Sinto-me saindo da gaiola. E, se tiver algum gatuno na espreita para abocanhar o passarinho, que seja! Vou à luta de qualquer jeito… aliás, do meu jeito!! Não sem antes ter consultado novamente as cartas xamânicas.

Aproveitei para fazer a sequência das quatro direções para estimular a meditação. Leste é a porta espiritual que se abre no momento e a carta foi a “roda da cura”. Ela fala sobre abrir novos ciclos de vida com o potencial libertador. Sul é a direção em que a Fé deve ser orientada e a carta “contador de história” veio para representar a expansão da consciência e da visão de mundo. Oeste simboliza o dilema que nos leva à introspecção e a carta não poderia ter sido outra senão o “bastão que fala”. Ou seja, pontos de vista diferentes! Por fim, Norte foi marcado com a carta “sinais de fumaça”, que significa a intenção no campo da sabedoria a ser alcançada por meio das demais cartas.

De novo, não é meu estilo mistificar, mas todas estas mensagens me trouxeram um conforto e tremenda força no coração. Por certo que cada pessoa interpreta o que lê de um jeito especifico, de acordo com o momento que em que está vivendo. As verdades para “uns” não são as mesmas para “outros”. O interessante das cartas é que elas, da mesma forma que os livros de mensagens que abrimos ao acaso, parecem acertar em cheio o que precisamos “ouvir”, naquele momento exato.

O sentido que atribuo a este conjunto de mensagens e fatos pode me levar a ser repetitiva, mas enfim… quando não se tem uma auto confiança elevada até o cosmo fica enviando sinais, repetidamente, para ver se a gente entende, de fato, a lição a ser aprendida. Ainda bem que temos anjos incansáveis trabalhando a nosso favor e apoiando nossa caminhada!

Neste caso, a síntese é: apropriar-se de mim mesma; aceitar a “ordinariedade” das coisas; reconhecer que não estou fora do caminho onde posso desenvolver minha missão; não me preocupar em buscar a iluminação e apenas agir de acordo com a minha mente e coração, expandindo a consciência diariamente com a prática da oração, meditação, reflexão; não me deixar envolver pela negatividade, continuando a vibrar positivamente, mesmo em situações de muita dificuldade; continuar me desapegando dos laços materiais; prestar atenção e seguir minha voz interior; acreditar nesta voz; interagir com esta voz; e finalmente, confiar no potencial de começar mais um novo ciclo de vida.

Simples isto tudo, não é?!

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