A libertação na morte

DSC09155Nada melhor do que o “livro Tibetano do viver e do morrer” e dois dias de chuva para mergulhar nas profundezas da mente. A leitura me faz repensar no caminho que me trouxe de volta a mim mesma. Desde a minha relação familiar primária, a formação da minha família, a definição do papel profissional, o luto e a perda do amado, um diagnóstico que reforçaria a tomada de decisão e a tentativa de romper com “samsara”.

Um caminho longo, cheio de inquietações; reações nem sempre favoráveis ao meu amadurecimento; encontros e desencontros com outras almas que contribuíram enormemente, cada uma a sua maneira, para o meu crescimento pessoal.

Na leitura, ideias familiares. Conceitos já ouvidos anteriormente, ali e acolá. Mas, um intenso sentimento de renovação, da descoberta do novo, se apoderou da minha alma.

Ficou mais forte a convicção de que se soubermos exatamente o que estamos plantando, saberemos reconhecer os frutos germinados na hora da colheita. Mas, ainda assim, é necessário estarmos atentos porque eles podem passar despercebidos se não estivermos concentrados no caminho. E, as distrações são muitas!

Reconhecer os “bardos” (momentos cruciais em que a oportunidade de crescimento se exacerba e as chances de libertação tornam-se poderosas) é uma arte a ser desenvolvida através da humildade e da prática. Não basta, portanto, a crença na vida futura para nos impor “um sentido de responsabilidade e de moralidade” capaz de nos transformar. É preciso morrer a cada dia!

Nesse sentido, a morte é como uma libertação. Perdemos todos os dias os paradigmas e nascemos, no dia seguinte, ávidos por mais conhecimento acerca de nós mesmos e do mundo ao nosso redor.

A libertação da alma afirma a impermanência de tudo e a singularidade de cada momento, de cada experiência, de cada ser. Trata-se da verdadeira renúncia, do total desapego.

Lembro-me das infindáveis conversas com os meus queridos amigos sobre estas questões. Cada um num momento de vida específico, mas todos no processo de avaliação do caminho percorrido até então. Em comum está a busca de certo afastamento de “samsara”.

No meu caso, o silêncio parece ter um impacto fundamental. É nele que as emoções entram em erupção, que os pensamentos borbulham e que tudo se debruça sobre mim. É nesse caos de contradições que me retiro do mundo ordinário para lançar mais um voo, sem rota nem plano definidos.

Que bom, como me disse um dos meus irmãos, eu consegui, mais uma vez, “colocar o chapéu roxo e sair por aí”. Que bom que consigo não me privar de romper com a estranheza da vida e da morte. “É morrendo que se vive eternamente”. E, ao estar aqui neste exato momento, sinto-me em luto e na luta para aprimorar quem sou.

Em meio aos devaneios,  um miojo com tomate e cenoura… Como pode uma coisa assim ser tão bem vinda?!

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