E agora, José?!

E agora, José?!???

Pergunta que, mesmo se traduzida para outras línguas, pode carregar em si vários significados: a curiosidade do porvir, a busca de alguma coisa, a espera de um acontecimento, uma dúvida ou até mesmo uma certeza escondida atrás da interrogação.

Nessa semana, recebi uma mensagem com o seguinte pensamento do Dalai Lama: “Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.”

Não sei exatamente se ele se refere ao fato de nos presentificarmos em nossas ações de maneira tal que ontem e o amanhã nunca se impõem como questão. Ou se ele se refere à natureza do aqui-e-agora como condição da experiência iluminadora. Talvez as duas coisas e outras tantas que escapam à minha limitada compreensão.

Fato é que não tem como não concordar com ele. O melhor da vida acontece quando acontece a vida. Nem antes, nem depois. Simplesmente naquele exato momento em que a criança nasce, em que o botão de rosa desabrocha, em que a borboleta sai do seu casulo, em que o passarinho voa do seu ninho, em que as mãos se entrelaçam, em que o coração bate forte, em que o sopro da vida ecoa dentro dos pulmões.

Nada melhor do que hoje para celebrar a essência da vida. É verdade. É uma grande verdade! Exercício, porém, difícil para muitos que se sentem em dívida com o passado ou que tentam, estrategicamente, garantir o futuro.

Tenho uma grande amiga que vez ou outra me faz lembrar que, um dia, a gente sente o deslocamento do registro do “What´s next ?” para “That´s it, I finally found it!”. Penso que isso tem a ver com o reconhecer-se no hoje e concordo novamente.

Mas, de uma forma um tanto contundente, essas duas verdades me fizeram pensar que a vida é em si mesma uma questão existencial permanente, ininterrupta. “What’s next?” segue sempre depois do “that’s it!”, que é, por sua vez, seguido de um novo “what’s next?”, compondo a dialética: busca e realização num processo de transição infinito.

Não existe dia melhor do que hoje para Ser. That’s it!

Momentos de inquietude são precedidos ou seguidos de momentos de tranqüilidade. Numa onda permanente de altos e baixos, superficialidade e profundidade, construção e destruição ou re-construção e desconstrução, a vida vai tecendo o caminho com a nossa conivência, convivência e colaboração.

Não existe dia melhor do que hoje para Ser. That’s it!

Uma trama em rede, que une todos os fios (fatos) da tecelagem em um grau qualquer. Mesmo que não se imponha como uma questão, seja qual for a razão, o fato, o ato, está lá ou está aqui, em função das experiências desse tecelão. E assim, nada continua como que por acaso; nada se configura como que por acaso. Há sempre um “that’s it!” ligado a um “what’s next?”, mesmo que a ordem não seja necessariamente essa.

Não existe dia melhor do que hoje para Ser. Mas, e agora, José?!

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2 respostas para E agora, José?!

  1. Ana Claudia disse:

    Querida ia te mandar um texto de reflexão que achei muito interessante assim como a realidade q vc tem vivido agora, mas está no facebook e eu não consegui colar o texto!!!

  2. Ricardo Alexandre da Silva disse:

    Excelente texto, Andrea! Parabéns!

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